terça-feira, 23 de agosto de 2011

A atratividade da carreira docente





Como anunciado na introdução, na terceira fase desta pesquisa os resultados preliminares foram submetidos à apreciação de especialistas para a realização de um painel realizado em novembro de 2009.

O encontro teve por objetivo problematizar algumas hipóteses exploratórias decorrentes dos dados e sinalizar encaminhamentos que possam colaborar com os estudos na área, bem como sugerir propostas para as políticas públicas em relação à atratividade da carreira docente.

As considerações que seguem foram inspiradas nos resultados da pesquisa e na discussão decorrente do painel, agregando, também, experiên­cias e conhecimentos dos participantes. Deve-se ressaltar que muitas reflexões elaboradas no decorrer do encontro extrapolam os resultados da pesquisa.

Principais achados

Os objetivos traçados nesta pesquisa foram o de investigar os aspectos que os jovens destacam para justificar a atração ou não pela carreira docente, bem como o de analisar suas percepções sobre o "ser professor", buscando evidências que possam colaborar com as políticas de formação de professores no Brasil. Levando em conta a complexidade inerente à problemática, algumas questões, que ora retomamos, tornam-se relevantes: Quais são os fatores relacionados à atratividade das carreiras profissionais? E especificamente da carreira docente? Que fatores interferem para que a docência tenha deixado de ser uma opção profissional interessante para o jovem ingressar no mercado de trabalho?

Primeiramente, cabe reiterar que, na elaboração dos instrumentos e no processo de análise dos dados, houve a preocupação de considerar que o estudo da atratividade da carreira docente requer ponderar os fatores ligados à escolha profissional, que se dá num processo permeado por dilemas, conflitos e contradições, envolvendo não apenas as características pessoais, mas também o contexto histórico e o ambiente sociocultural em que o jovem vive.

Os estudantes que participaram da pesquisa têm um projeto de futuro que inclui o ingresso, em algum momento, na universidade, e a maioria demonstra vontade de trabalhar e estudar. Expuseram os fatores extrínsecos e intrínsecos que interferem no seu projeto profissional e falaram da relação entre desejo e realidade, levando em conta não só os seus próprios interesses e características pessoais, mas também suas circunstâncias de vida. Enquanto os alunos das escolas particulares estão certos de que cursarão o ensino superior, para os alunos da escola pública essa é uma possibilidade que vem acompanhada de limitações, já que, prevendo as dificuldades de seu ingresso nas universidades públicas, colocam as instituições privadas como sua única opção. Vimos, ainda, que a escolha das carreiras também tende a diferenciar os alunos das escolas públicas e privadas. Assim, quando o jovem analisa suas prioridades, a escolha profissional é limitada por uma realidade que se impõe e que envolve desde fatores econômicos até expectativas familiares nem sempre compatíveis com seus desejos.

Esses aspectos de ordem individual e contextual são essenciais para compreender a atratividade da carreira docente na percepção do jovem. Ou seja, a opção, ou não, pelo Magistério deve ser analisada considerando fatores intrínsecos e extrínsecos.

Nos resultados, as falas dos estudantes em relação à docência e ao "ser professor" foram permeadas de contradições e contrastes. Os sentidos que atribuem à imagem da profissão retratam sempre duas perspectivas de análise. Ao mesmo tempo em que conferem à docência um lugar de relevância na formação do aluno e em que reconhecem a função social do professor, afirmam que se trata de uma profissão desvalorizada (social e financeiramente) e que o professor é desrespeitado pelos alunos, pela sociedade e pelo governo.

O mesmo contraste é identificado quando fazem referência ao trabalho docente. Para os alunos, é um trabalho nobre, gratificante, permeado de sentimentos de prazer e satisfação; entretanto, é recorrente nas falas os comentários sobre as dificuldades dessa atividade. Trata-se de um trabalho pesado, que requer paciência, muitas vezes frustrante e que vai além da escola. E, ainda, que consome boa dose de energia afetiva decorrente da natureza interpessoal das relações professor/alunos.

Para os estudantes que participaram da pesquisa, o trabalho do professor é considerado, portanto, com limitações e dificuldades. E diante da possibilidade de um comprometimento exclusivo com essa atividade profissional, há a preocupação quanto à disparidade entre exigência e retorno, ou seja, os jovens falam do medo de trabalharem muito e não serem devidamente reconhecidos. Mesmo valorizando o professor e seu trabalho, os alunos que participaram dos grupos de discussão mostram-se pouco desejosos de ocupar suas vidas futuras com essa atividade: ela parece árdua demais se contraposta às suas ambições, necessidades e desejos.

O sentido que os jovens atribuem ao "ser professor" está incorporado ao contexto social, político e cultural mais amplo em que vivem e, também, ao próprio processo de sua socialização escolar. A sociedade brasileira constrói uma imagem contraditória da profissão: ao mesmo tempo em que ela é louvável, o professor é desvalorizado, social e profissionalmente, e, muitas vezes, culpabilizado pelo fracasso do sistema escolar.

Cabe lembrar que, nas últimas quatro décadas, vários aspectos têm contribuído para a construção da imagem que a sociedade tem hoje da docência e é possível pôr em destaque alguns deles.

O primeiro diz respeito à expansão quantitativa da escola, visando a atender ao processo de democratização de acesso à educação. Esse fato trouxe uma série de implicações, pois os professores não estavam preparados para trabalhar num processo de expansão da escola, quando, também houve o agravamento da inadequação e o aligeiramento da formação de professores, ampliando o despreparo desses profissionais para atuar no novo contexto.

O segundo aspecto refere-se à precarização da profissão, o que envolve condições conjunturais, como salários, níveis de participação, carreira, clima de trabalho, políticas públicas, dentre outros, que se agravaram com o processo de ampliação de oferta de vagas nas escolas.

Um terceiro fator diz respeito às mudanças de natureza econômica, política, social e cultural que a sociedade vive, as quais agem como elementos transformadores do trabalho docente e contribuem para o surgimento de novos problemas e desafios no cotidiano das escolas, por exemplo, mudanças nas famílias, nos meios de comunicação de massa e em outras instituições de socialização; novas demandas para as formas de produção e o mercado de trabalho; evolução das tecnologias de comunicação e informação; origem social e características sociais dos alunos; massificação da escolarização, mudanças nas relações entre as gerações e mudanças na relação com o conhecimento.

O quarto aspecto que merece destaque em relação à imagem da docência articula-se a certas noções preconcebidas de que para ensinar não é preciso ter formação específica. Apesar de os estudantes da pesquisa reconhecerem a complexidade e a exigência da carreira, a docência não é considerada por eles como uma profissão que detém um saber específico que a caracterize, que precisa ser aprendido e que a diferencie de outras profissões. Em relação às séries iniciais é ainda maior a percepção de que não é preciso preparo; basta apenas o cuidado.

Por que ainda prevalece a ideia de que qualquer um pode ser professor? O que tem favorecido o fato de a atividade docente ser exercida sem revelar os saberes que lhe são inerentes?

Gauthier (1998) explica que, embora o ensino seja uma atividade universal, que se realiza desde a Antiguidade, e que a formalização dos saberes necessários à realização das tarefas que lhe são próprias é uma das condições fundamentais a toda atividade profissional, ainda se sabe muito pouco sobre os conhecimentos que estão na base da profissão docente.

Quando se pensa na profissão docente, como bem explica Roldão (1998, pág. 81), há um quadro histórico e uma representação social que guarda certa ambiguidade, uma vez que o exercício da profissão docente "[...] tem aproximado, de forma variável e em contextos diferentes, ora a um estatuto mais próximo do funcionário, ora do técnico ou, pelo contrário, socialmente idealizado em termos mais próximos do artista ou do missionário". É difícil dizer em que medida esses fatores interferem na percepção que a sociedade tem da profissão docente, mas, de qualquer modo, é frequente a referência à "vocação" e ao "jeito" para ser professor, o que não costuma ocorrer da mesma forma a respeito de outras profissões (Roldão, 1998).

Essas considerações nos fazem questionar: O que permite identificar uma profissão? Quais os aspectos que nos aproximam e/ou nos afastam do que constitui a especificidade de ser professor?

Roldão (2005) ajuda a compreender essas questões ao discutir o que distingue, sociologicamente, uma profissão de outras atividades. A autora recorre ao campo teórico da sociologia das profissões para identificar um conjunto não uniforme de elementos tidos como descritores de profissionalidade. São eles: o saber específico indispensável ao desenvolvimento da atividade e sua natureza; o reconhecimento social da especificidade da função associada à atividade; o poder de decisão sobre a ação desenvolvida e autonomia em seu exercício; o pertencimento a um corpo coletivo que partilha, regula e defende o saber necessário, o exercício da função e o acesso a ela.

A função definidora do "ser professor" em articulação com o saber que se julga necessário para exercer essa profissão é explicada por Roldão (2005) como a mediação do professor entre o saber conteudístico e o fazer aprender o aprendente. A função de ensinar, de fazer o outro aprender, incide sobre a especificidade do trabalho docente: saber transformar o conhecimento do conteúdo em ensino, ou seja, saber fazer com que o conhecimento seja aprendido e apreendido por meio da ação docente.

Essa especificidade reforça o estatuto de profissionalidade e confirma que o trabalho docente requer um conjunto de saberes que não são aprendidos espontaneamente.

Em relação ao terceiro e quarto descritores, Roldão destaca a atual escassez de poder e limitada intervenção sobre a organização do trabalho docente, o que, segundo a autora, dificulta "a constituição de coletivos autônomos dos agentes de ensino, enquanto grupos profissionais que se auto-organizam e defendem o seu saber próprio" (pág. 111). A autora adverte que as dimensões de poder e controle dos professores sobre a ação docente, quando restritas ao próprio grupo e ao "poder" de que o professor é detentor dentro da sala de aula, "constitui uma das limitações sérias ao estabelecimento social do seu estatuto como profissionais plenos" (pág. 111).

Roldão também ressalta que escassos são os mecanismos de controle que vêm do interior da classe. As limitações do poder dos professores sobre sua ação e os escassos mecanismos de regulação sobre ela são decorrentes, segundo Roldão, do "individualismo sacralizado" do exercício docente, que contribui para o esvaziamento de um corpo coletivo entendido como comunidade de pares que assegure o saber próprio do grupo, o controle sustentado sobre a ação profissional, as condições de acesso etc. Isso quer dizer que a qualidade de um profissional pleno só pode ser construída e regulada pelos próprios profissionais, embora, a qualidade desse profissional seja necessariamente analisada e avaliada pela sociedade.

Como não são poucos os indicadores de não profissionalidade construídos historicamente, e como o significado profissional da ação docente está associado à credibilidade do trabalho, torna-se cada vez mais necessário "apelar à necessidade de compreender que estas formas de estar na docência são as que existem, e questionar por que é que existem, como se construíram e que consequências têm tido - e continuam a ter - na não afirmação da docência como profissão plena" (Roldão, 2005, págs. 112-113).

A imagem que os estudantes pesquisados têm sobre a docência, por exemplo, aproxima-se muito da ideia de dom, de uma atividade exercida de forma sacrificada. Para compreendê-la, pode-se aventar a hipótese de que os alunos se apoiam na percepção negativa das condições de trabalho do professor; eles percebem as dificuldades dele, sua desvalorização social e financeira, e se perguntam: "O que justifica ele estar na escola? O dom, a vocação".

Nesse quesito também não se pode desconsiderar a dimensão do gênero, especialmente quando se analisa a profissão docente. Sabe-se que a carreira do Magistério está muito associada às mulheres e ao cuidado, visto como não produtor de riqueza. A literatura aponta que características desse tipo são consideradas qualidades naturais, inatas, aprendidas no espaço do privado e da reprodução e linearmente, associadas ao sexo feminino. Neste sentido, muitos dos atributos relacionados à docência não são valorizados como profissão. Como afirma Unbehaum (2009, pág. 19), porém, "o ato de cuidar, fundamental na relação com a criança, precisa ser desessencializado e deve ser visto como uma atividade que envolve compromisso moral de dedicação ao outro, independentemente do sexo de quem o executa".

Além dos fatores extrínsecos que contribuem para a baixa atratividade da carreira docente - mencionados pela literatura disponível e pelos estudantes desta investigação -, há uma série de outros aspectos que influenciam o processo de escolha profissional e a opção, ou não, pela docência.

Um bom exemplo é o processo de individualização contemporâneo, que se reflete nas escolhas profissionais dos jovens, que tomam para si toda a responsabilidade para fazer uma escolha "acertada", conseguir um bom emprego e ter sucesso profissional. Mais ainda, a construção social de uma carreira de sucesso lhes transmite a ideia de que esse percurso deve ser totalmente individualizado (Tartuce, 2007). Ora, se a profissão docente exige, em si mesma, a inclusão do outro, a opção por essa carreira pode ser desestimulada por esse processo de individualização. Seu sucesso depende do outro, dos alunos.

Ao mesmo tempo, os jovens pesquisados têm a percepção clara de que o trabalho do professor, justamente por incluir o outro e depender desse outro para se realizar, é extremamente complexo. Essa compreensão vai ao encontro de vários estudos que ressaltam o fato de o trabalho docente depender da relação com os alunos e de se realizar a partir dela. Adicionalmente, aparece na representação dos alunos pesquisados, em função de suas próprias vivências em sala de aula, uma imagem muito negativa desse "outro", que, eventualmente, seria seu aluno no futuro, caso optassem pela docência.

Também, não se pode desconsiderar a imagem que os professores constroem de si mesmos - em palavras ou em atos - e que acaba influenciando seus alunos. Sendo assim, o desenvolvimento das práticas pedagógicas na escola também pode induzir, ou não, o desejo pela docência.

Os dados do grupo de discussão indicam que as experiências negativas afastam os alunos da escolha pela docência. Quando, porém, essa imagem é positiva e colabora para uma experiência mais positiva na escola, há talvez, a possibilidade de que o aluno pense em se tornar professor, mesmo que desista dessa opção por diversas outras razões, como já foram mencionadas.

Embora não se possa generalizar, a vivência positiva na escola foi relatada mais fortemente nas escolas particulares. Os estudantes, de modo geral, acreditam que os docentes da escola privada são mais motivados e mais bem remunerados. Já os jovens das escolas públicas idealizam o professor da escola particular. A valorização excessiva da escola privada merece ser melhor investigada para identificar se, nesse contexto, há características específicas que - ultrapassando as questões de infraestrutura - favorecem o exercício da docência e podem, eventualmente, ser expandidas a toda a rede de ensino.

Independentemente do tipo de escola que frequentam, a grande maioria dos alunos ouvidos nesta pesquisa mostrou-se consciente dos problemas educacionais no país ao perceber a importância do professor e sua desvalorização social.

Também estão cientes de que, se a profissão docente tem se mostrado menos motivadora do que outras opções profissionais, isso acarretará falta de professores no futuro. Diante da escassez de candidatos, alguns alunos acreditam que a profissão docente está fadada ao desaparecimento.

"Hoje em dia, quase ninguém quer ser professor. Nossos pais não querem que nós sejamos professores, mas eles querem que existam bons professores. Mas como é que vai existir bons professores se meu pai não quer, o dela não quer, não quer...? Como é que vai ter professores? Aí fica difícil, não é?"
(Cláudia, escola pública, Feira de Santana)

De um modo ou de outro, em vários dos grupos surgiu a discussão sobre a importância de se construir um referencial positivo do professor - sob pena de faltar mão de obra docente no país, o que, em geral, segundo os estudantes, deve ser responsabilidade do governo. O jovem identifica que, numa sociedade em que as oportunidades no mercado de trabalho foram ampliadas, vêm diminuindo a atratividade da docência como possibilidade de estabilidade financeira e reconhecimento social.

Para finalizar, cabe destacar que, neste estudo, também se observou a tendência de mudança de perfil dos que buscam a profissão docente, como retratado anteriormente. A esse respeito questiona-se: A escolha pela docência, por jovens das classes C e D, é realmente uma opção? Ou é uma opção por descarte, quase uma desistência do que esse jovem realmente gostaria de fazer? Há uma forte tendência de considerar que a escolha se dê por descarte, pelo fato de a carreira poder ser construída por se tratar de cursos baratos, aligeirados, de fácil acesso e, portanto, viáveis não só do ponto de vista econômico, mas também das exigências de natureza acadêmica. É preciso ponderar, porém, que, para muitos jovens das classes populares, a docência se apresenta como uma escolha possível, interessante, e, desse modo, não se trata simplesmente de uma fuga, de uma opção por descarte. Para muitas pessoas que hoje ingressam nos cursos de Licenciatura, o Magistério aparece como possibilidade real e concreta, que vai além da concepção do professor "dador" de aulas. Nesse caso, leva-se em conta a perspectiva de exercer uma atividade profissional que se apresenta com possibilidades de contribuir para a transformação da realidade.

Seja como for, é urgente o desenvolvimento de políticas que tenham como prioridade não só a valorização do Magistério, visando a evitar o declínio da profissão docente, mas também a assistência efetiva aos que optam pela docência, em seu desenvolvimento profissional.

Principais proposições para políticas públicas em relação à atratividade da
carreira docente


Das análises procedidas e das discussões ocorridas no painel, com os especialistas convidados, pode-se chegar a algumas proposições que poderiam contribuir para alterar o quadro de desvalorização social dos professores da escola básica e da pouca atratividade associada a essa carreira. A sociedade brasileira valoriza, no plano discursivo, a importância da educação, mas não há ainda práticas efetivas que decorram da necessidade urgente, prioritária, atribuídas ao tema. Portanto, a educação tem de se tornar objeto de políticas incisivas por parte do poder público e de ações diretivas capitaneadas por organizações civis e sindicatos. Diante disso, sugerem-se aqui dois conjuntos de proposições, cada um deles composto de vários subtemas.

I. Este primeiro conjunto de proposições diz respeito ao que se poderia denominar dimensão cultural relacionada à docência, envolvendo as representações sociais presentes no imaginário brasileiro:

- Necessidade de intervenções midiáticas e outros movimentos que resgatem no imaginário social a valorização do professor e do ensino público;

- Desenvolvimento intrauniversidades de maior valorização dos cursos de Licenciatura e seu fortalecimento, bem como atribuição de maior prestígio a esses cursos, com valorização do papel do ensino e da educação básica para o país;

- Realização e valorização pública de ações e políticas que mostrem que os anos iniciais de ensino não se restringem a "cuidar", mas constituem um processo de educar, o que requer preparo adequado do profissional que trabalha com as crianças;

- Definição urgente e mais clara a respeito do conhecimento específico da docência, de modo que se combata a ideia de que "qualquer um pode ser professor" ou de que é preciso apenas ter "dom" para exercer a profissão. Sabe-se que o conhecimento específico é de fato um dos aspectos definidores do valor de uma profissão;

- Implementação de políticas públicas e formação de opinião que incentivem a atuação masculina na profissão. Embora o cuidado também esteja presente nas características da docência, isso não significa que, por isso, ela deva ser exercida majoritariamente por mulheres.

II. O segundo conjunto de proposições refere-se a mudanças de ordem estrutural e institucional que poderiam concorrer para o fortalecimento da consideração do professor como um profissional com valor social ressaltado. Entre elas, destacam-se:

- Implementação de políticas que possibilitem maior participação dos professores no plano de desenvolvimento de carreira e nos processos decisórios. Os tomadores de decisão devem confiar nos docentes, pois estes precisam ser reconhecidos como autores do seu fazer;

- Necessidade de a carreira docente deixar de ser burocrática, para tornar-
se profissionalizante desde o início. Trata-se de contemplar o reconhecimento social da especificidade da função associada à atividade; o saber específico indispensável ao desenvolvimento da atividade e sua natureza; o poder de decisão sobre a ação desenvolvida e autonomia em seu exercício; e o pertencimento a um corpo coletivo que partilha, regula e defende o saber necessário, o exercício da função e o acesso a ela;

- Novas reflexões e ações sobre a carreira docente. Quando um professor progride na carreira, ele sai da sala de aula. Ou seja, a desvalorização do professor também se manifesta no fato de que, para ser reconhecido, ele deixa de ensinar para se tornar coordenador, diretor, formador de professor etc. É preciso, portanto, criar um plano de progressão de carreira que não tire o professor da sala de aula e que valorize, muito, sua permanência nela;

- Melhorias no ambiente escolar, incluídas aí as condições de trabalho dos professores e seus salários. A vivência positiva na escola, embora não garanta a atratividade do aluno pela carreira docente, pode fazer com que ele pense de modo mais efetivo nessa possibilidade. Para que os alunos tenham boas experiências no espaço escolar, é preciso desenvolver melhor o ambiente escolar;

- Ações que ajudem a propiciar ambiência cultural mais produtiva. A boa experiência na escola depende da relação do aluno com o conhecimento, com a rede social (professores e colegas) e com o lugar da escola na sociedade. O clima e a cultura de cada escola, revitalizados, poderiam resultar em atratividade para a docência;

- Implementação de políticas de formação continuada. Conhecer a escola também é importante para se pensar uma formação adequada ao futuro professor e ao professor real que nela atua. Sabe-se que a escola de hoje não tem o mesmo lugar que ocupava no início do século XX. Seu prestígio social está alterado, assim como a autoridade do professor. Existe medo de "ser" e "estar" professor na escola de hoje, especialmente nas periferias. Daí a importância de políticas de formação continuada com enfoque nas necessidades dos professores, associadas às condições e demandas das comunidades a que atendem;

- Estruturação da formação de professores em um centro, faculdade ou instituto próprio, à semelhança das faculdades de Direito, Engenharia, Medicina etc. Isto contribuiria para melhor equacionamento dos currículos formadores e maior visibilidade social do perfil profissional dos professores da educação básica;

- Novos conteúdos e estratégias de formação nos cursos de Licenciatura, implementando desenhos curriculares capazes de possibilitar outras formas de organizar as situações de ensino, promovendo a intersecção entre as disciplinas, e das disciplinas com a prática, e maior interação entre os docentes formadores de professores;

- Atuação junto aos professores formadores de professores para desenvolver consciência mais efetiva relativa a seu papel nessa formação e ao impacto disso na educação das novas gerações;

- Implementação de parcerias entre universidades e escolas, para que as práticas profissionais sejam privilegiadas na formação. Os estudos que investigam a prática podem também contribuir para o desenvolvimento de formas de atuar que valorizem o professor e, por consequência, a carreira. A universidade tem, pois, o papel de ajudar as escolas no processo de mudança;

- Formas de inclusão de universidades, e outras instituições formadoras de professores, na responsabilização pela ampliação do universo cultural do aluno que busca a carreira docente. Sabe-se que o perfil desse aluno tem lacunas de todos os tipos. A carreira docente mostrou-se mais atraente para jovens de um segmento social desfavorecido, o que, muitas vezes, implica escolarização precária. Esse é um aspecto que deve ser enfrentado pelos cursos de formação inicial de professores, e pelas políticas que os orientam. Ou seja, temos de trilhar o caminho inverso ao que está sendo realizado: fortalecimento dos currículos formativos, e não aligeiramento e encurtamento da formação. Iniciativa proveitosa seria investir em bolsas para licenciandos (com monitoramento adequado) em licenciaturas cujos projetos de formação foram avaliados como bons ou ótimos;

- Investigação das reais características da escola privada, excessivamente valorizada pelos alunos. A análise do ensino particular pode oferecer indícios sobre quais características geram fatores capazes de aumentar a atratividade pela carreira docente.

Bernardete A. Gatti | Gisela Lobo B. P. Tartuce | Marina M. R. Nunes | Patrícia C. Albieri de Almeida
Fundação Carlos Chagas

Livros do Paulo Freire em PDF


Livros do Paulo Freire disponíveis em arquivos de pdf:

O livro é uma coletânea de textos em que Paulo Freire reflete sobre a alfabetização, criticando a proposta simplificadora que se limita ao repetir mecânico de idéias alheias e à memorização de palavras e letras, condenando, também, o projeto educacional que a executa. Na concepção do autor, o processo de alfabetização deve permitir ao alfabetizando a compreensão do ato de ler, de estudar, ensinando-o a pensar a partir da realidade social que o cerca, estimulando, assim, a prática de um diálogo conscientizador e gerador de uma reflexão crítica e libertadora.


Em sociedade que exclui dois terços de sua população e que impõe ainda profundas injustiças à grande parte do terço para o qual funciona, é urgente que a questão da leitura e da escrita seja vista enfaticamente sob o ângulo da luta política a que a compreensão científica do problema traz sua colaboração. 

Medo e Ousadia em pdf   em pdf para baixar
Neste livro, os autores trabalham com as angústias cotidianas do professor na experimentação da pedagogia do diálogo, nas mudancas de atitudes práticas e teóricas que a escolha dessa concepção de educação implica.



Pedagogia da Autonomia' é um livro que condena as mentalidades fatalistas conformadas com a ideologia imobilizante de que 'a realidade é assim mesmo, que se pode fazer?' Para estes, basta o treino técnico indispensável à sobrevivência. Para Paulo Freire, educar é construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal, reconhecendo que a História é um tempo de possibilidades. É um 'ensinar a pensar certo' como quem 'fala com a força do testemunho'. É um 'ato comunicante, co-participado', de modo algum produto de uma mente 'burocratizada'. No entanto, toda a curiosidade de saber exige uma reflexão crítica e prática, de modo que o próprio discurso teórico terá de ser aliado à sua aplicação prática.


Pedagogia do Oprimido em pdf   em pdf para baixar
 O livro apresenta o Método Paulo Freire, a mais importante proposta pedagógica pensada a partir da realidade do Terceiro Mundo. Apesar dos mais de vinte anos que o separam da primeira edição, o Método mantém atual a avaliação do papel da educação, ovigor de suas perspectivas e sua aplicabilidade. 

 Pedagogia da Indignação em pdf em pdf para baixar
Último livro de Paulo Freire, 'Pedagogia da Indignação' ficou inacabado em razão de sua morte em maio de 1997. Editado agora, ele vem acompanhado de notas explicativas escritas por sua viúva, Ana Maria Araújo Freire. Trata-se de três Cartas pedagógicas e outros escritos em que o educador defende as condições para a realização dessa utopia que é a democratização da sociedade brasileira. Relatos autobiográficos, reflexões políticas e pedagogia são os materiais que compõem um livro a ser lido como continuação da 'Pedagogia da esperança'. 
 Professora Sim, Tia não em pdf  em pdf para baixar            É pedagógico para um aluno chamar a professora de tia? Segundo o autor, esse tratamento é uma armadilha ideológica nada inocente. Para a professora, é uma forma de adocicar sua vida profissional e de tentar amaciar sua capacidade de luta e seu empenho no exercício de tarefas fundamentais; já as crianças correm o risco de confundir a distinção entre sua casa e a escola, entre um trabalho pedagógico competente, estimulante e solidário e as relações familiares, que são de outra natureza. Neste livro Paulo Freire trata de questões bem concretas do cotidiano docente, tais como o rigor no preparo das aulas, as qualidades necessárias para professoras e professores progressistas, as relações com os alunos, a escuta da palavra e a leitura do mundo e a prática da disciplina sem cair no autoritarismo.

Curso Online ECA na Escola

Prezado Educador,
Estão abertas as pré-inscrições para a Turma 5 do Curso Online ECA na Escola, desenvolvido pela Fundação Telefônica, por meio do Portal Pró-Menino (www.pro-menino.org.br), em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal e com o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor – CEATS-FIA (www.ceats.org.br).
O curso, totalmente online, existe desde 2009 e já capacitou mais de 5 mil professores. O objetivo é colaborar com a efetivação da Lei 11.575, que incluiu, no currículo do ensino fundamental, conteúdo que trate dos direitos de crianças e adolescentes, tendo como referência o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Com três meses e meio de duração e 60 horas de carga horária, o curso é uma possibilidade ímpar de ter contato com o assunto, contando com a mediação de professores conceituados, além de aulas gravadas pelos grandes especialistas em direitos e deveres de crianças e adolescentes, parte deles, inclusive, redatores do próprio ECA.
O início oficial do curso é no dia 30 de agosto, mas a plataforma de educação à distância poderá ser acessada a partir do dia 25, para que os alunos possam se familiarizar com a mesma. O acesso é feito pelo Portal Pró-Menino, por meio do banner “ECA na Escola”, na seção Cursos Virtuais, à direita do site. Lá você também vai encontrar informações detalhadas, como o programa do curso, por exemplo.
Pelo link abaixo, você pode fazer a sua inscrição, já identificando um nome de usuário e uma senha de acesso. Clique no link, ou copie o mesmo na barra de endereços do programa que usa para acessar a internet.


 Os que completarem os sete módulos e entregarem o trabalho de conclusão, que se refere a uma proposta de ação pedagógica voltada para a inclusão dos direitos de crianças e adolescentes na escola, receberão certificado emitido pela Faculdade FIA de Administração e Negócios (www.fia.com.br).
Importante: são necessárias, em média 4 horas semanais de dedicação ao curso. Somente solicite a sua inscrição se você realmente tiver condições de realizar o curso. Muitos professores, em todo o Brasil estão interessados e o número de vagas é insuficiente para atender a todos.
TURMA 5
CRONOGRAMA
Duração do curso :
de 25/08/11
até 05/12/11.
 O curso ECA na Escola foi desenvolvido por meio de uma parceria entre o Ministério da Educação, Secretaria de Direitos Humanos, Fundação Telefônica e Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor da Fundação Insitituto de Administração.

As inscrições para a Turma 5 estão abertas. 
Informações pelo e-mail:

ecanaescolaturma5@fia.com.br.


Reflexão do dia



"O mundo se transforma para quem aprender a conhecer, a fazer, a ser e a conviver".

 

 

Convivência em equipe



Convivência em equipe
Caio Lauer
Pensamentos divergentes, atitudes que incomodam ou posturas irritantes. A convivência entre pessoas sempre foi um grande desafio nas organizações de todas as áreas de atuação. E como julgar as condutas dos profissionais e estabeleber um melhor meio de conviver? Este é o desafio.
Saber ouvir, perguntar, ter iniciativa, motivação, e colaborar. Talvez estas sejam características de um colaborador perfeito e, se todos agissem dessa maneira, as companhias nunca teriam problemas e só se preocupariam com suas metas e objetivos. Mas na prática, nunca será dessa maneira.
Evitar centralizar atividades e não criticar sem ter uma solução para a indagação são atitudes recomendadas para um ambiente favorável de trabalho por parte dos funcionários. Ana Maria Ferraz de Campos, instrutora da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística (SBPNL), diz que em reuniões, por exemplo, a equipe deve manter o foco, evitar interrupções ou considerações desnecessárias. A colaboração com ideias é perfeita para harmonizar o ambiente, já que as informações são do interesse de todos os presentes. “Às vezes, é necessário até fazer o papel de ‘advogado do diabo’, pois é preciso levantar prós e contras de determinadas situações”, observa.
Como não pode deixar de ser, a comunicação entre os profissionais é quem dá o tom da convivência no dia a dia. É a principal competência a ser desenvolvida pelos colaboradores nesse contexto. Escutar ativamente os demais membros do grupo e exercitar o diálogo, não apenas como uma conversa trivial, e sim como a capacidade de integrar diversos pontos de vista, deve ser prática constante. É recomendável fazer críticas construtivas sempre, contanto que busque falar de forma adequada, dentro do modelo do interlocutor. “A comunicação deve ser focada não só por meio do que é transmitido para as pessoas como informação, mas na maneira de como se expressar”, aponta a instrutora.
A convivência e trabalho em conjunto exigem profissionais maduros. A maturidade se conquista com aprendizado e atenção de não repetir ações que não deram certo: a observação e consciência de saber pontos fracos e fortes. As fraquezas são como ameaças pessoais. Por exemplo, se o indivíduo é muito impaciente e não consegue escutar seus pares, isso provavelmente será desastroso para a equipe. É necessário se questionar em que ponto pode estar se prejudicando na participação com o time. “É importante o desenvolvimento além da inteligência interpessoal, o da inteligência intrapessoal, que envolve a capacidade da pessoa se conhecer, de ter um modelo individual de trabalho eficiente e usar estas informações com eficiência para regular a própria vida”, explica Káritas de Toledo Ribas, administradora de empresas e coach. De acordo com ela, é a habilidade de perceber os próprios sentimentos.
A referência
Saber escolher a liderança é de extrema relevância para um time. É o líder quem dará o tom da convivência no dia a dia, pois ele precisa ter a habilidade de motivar as pessoas, perceber seus temperamentos e relacionar-se com elas.
Saber identificar o papel de cada indivíduo e intervir de forma pontual para que a equipe se desenvolva deve ser o objetivo a ser perseguido pelos gestores. Para Káritas, o líder deve buscar o fortalecimento do grupo através do engajamento, do diálogo honesto e do estímulo ao crescimento, tanto pessoal quando profissional de cada membro.
“Muitas equipes são espelhos dos seus líderes, ou simplesmente passam a ignorá-los por perceberem que não podem confiar nele. Para estabelecer vínculos de confiança e honestidade com a equipe, é necessário que o próprio líder cuide de seu desenvolvimento. Os melhores líderes são primeiramente as melhores pessoas”, completa a coach.

 Por:  RobertodeAraujoCorreia
Fonte: Jornal Carreira & Sucesso – 401ª Edição
Imagem: Google

 

 

 O segredo das campeãs do ensino

As seis melhores escolas públicas do país, segundo o Ideb, revelam o beabá de uma Educação de Qualidade

 




Qual é o segredo de uma boa escola? Como alcançar uma nota maior que 7? Bons professores, pais participativos, acompanhamento dos alunos: o receituário inclui elementos óbvios. Mas, longe de ser aplicado em todo o Brasil, ele é seguido isoladamente por algumas escolas, como as instituições mais bem rankeadas no Ideb, o principal indicador nacional da educação, que atribui nota de 0 a dez às escolas públicas brasileiras. Localizadas no interior de São Paulo, essas escolas são municipais e ficam em cidades pequenas. Têm baixos índices de repetência e de evasão escolar. A distorção idade-série (percentual de alunos em cada série, com idade superior à idade recomendada para aquele ano) fica abaixo da média brasileira. Todas elas superaram a nota de muitos países desenvolvidos, com média na casa dos 6. E têm o dobro da média brasileira, hoje beirando o 4,2. 1. A escola Professora Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida, em Santa Fé do Sul, que alcançou a nota 8,6, encabeça o ranking. 2. Empatadas em segundo lugar, com 7,9, ficaram a escola Arminio Giraldi, de Barrinha, a escola André Ruggeri, de Cajuru, e a escola Cirley Volpe Lopes, de Santa Fé. 3. As escolas Amilde Tedeschi, de Adolfo, e Rosimare Camargo Benitez, de Santa Fé, alcançaram a nota 7,7, ficando em terceiro lugar. Como as escolas campeãs do Ideb chegaram ao topo do ensino público no Brasil? Com uma mistura de características comuns, que esquadrinhamos na reportagem que você lê abaixo.


Escola carente está entre as de melhor desempenho do país

EDUCAÇÃO BÁSICA
Em apenas quatro anos, escola saiu do índice de 2,7 para 8,7, um aumento de 322 pontos percentuais, o maior registrado em todo o país

Com medidas criativas, é possível melhorar a qualidade da educação (Foto: Wanderley Pessoa)


Em 2005, a nota do índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) da escola estadual Dom Bosco, em Eirunepé, sudeste do Amazonas, era de 2,7, numa escala que vai de zero a dez. Quatro anos mais tarde, em 2009, a nota foi de 8,7. O aumento, de 322 pontos percentuais, é o maior registrado em todo o país. A escola atende a 340 estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental e lida com crianças em situação de risco social. Mais de 70% dos estudantes vêm de famílias que recebem Bolsa Escola.
A diretora Maria de Fátima Libânio da Silva aponta duas estratégias como as responsáveis pelo salto de qualidade da escola Dom Bosco. A primeira é o projeto Aula de reforço é compromisso de todos. O nome do projeto cai bem. Pais e professores se uniram para superar o principal obstáculo às aulas de reforço: a falta de merenda.
“O estado manda a merenda para o turno regular, mas como eles viriam estudar no contraturno sem comer?”, questiona Maria de Fátima. Com recursos dos próprios professores e frutas e verduras produzidas pelos pais dos estudantes, foi possível garantir o lanche. “Até a saúde deles melhorou, porque muitos só se alimentam na escola mesmo”, relata.
A outra estratégia utilizada pela escola é a Brincando também se aprende, que, mais uma vez, se desenvolve no contraturno. Aulas de amarelinha e atividades lúdicas são utilizadas como forma de estudo. Assim, os professores driblam dificuldades com conteúdos formais como matemática, por exemplo. “Temos um terreno grande aqui. Eles podem brincar à vontade”, explica.

Reconhecimento
– O empenho dos servidores da escola foi reconhecido dentro e fora do estado. Todos os servidores receberam, do governo do estado, um 14º salário, em dezembro de 2010. “Foi um prêmio pelo crescimento”, explicou a professora Sueli Pinheiro Neblina, coordenadora regional de educação da secretaria estadual de educação de Eirunepé. A diretora Maria de Fátima, por sua vez, foi uma das dez educadoras condecoradas com a medalha da Ordem Nacional do Mérito pela presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira, dia 21, em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília.

Fonte: Ana Guimarães/MEC

IDEB 2011 por Escola

 
O estudo é um bem que está sendo um investimento dos pais nos filhos há muito tempo. A história do país carrega esse fato desde sempre, já que o investimento do governo para a sociedade nesse quesito nunca foi prioridade. Mas que a educação  dada nas escolas públicas do Brasil não é grande coisa, isso já se sabe. O importante agora é deixar a população a par das coisas, dos projetos que vem sendo feito, além das metas que foram alcançadas e as que pretendem ainda alcançar. Há quem diga que a questão da educação do nosso país é a questão mais séria que se tem para resolver no momento, afinal muitos problemas do Brasil provém da falta de educação. E como dizem que a melhor maneira de combater algo que não seja bom é combater o mal pela raiz, então é realmente pela educação que tudo deve começar a ser solucionado.
Outra coisa que é bastante importante para saber como anda o nível de ensino da escola em que seu filho estuda, é observando o resultado do IDEB.  Índice de Desenvolvimento de Educação Básica trata-se de um índice para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do Inep e em taxas de aprovação.


Essa medida é tomada a cada dois anos. Com isso, há uma prova que é aplicada em todos os alunos de todas as escolas do Brasil. A nota dos alunos estabelecerá o nível em que a escola estar.
No ano determinado sai a lista do ranking das escolas, no qual, as que tiverem as melhores notas estarão no topo da lista.

Pesquisar a nota por escola

Você pode pesquisar a nota da escola em que seu filho estuda, ou se for o caso, a nota da escola em que você estuda. Basta acessar o link a seguir e colocar os dados pedidos, logo você saberá qual colocação de sua escola na lista. Acesse o site do Educar para Escrever, e informe o seu estado, cidade e a escola em que estuda, e pronto. Clique aqui para descobrir.

Contra o Ideb na Escola: "Para além da comunidade-cliente"

Qualidade na educação é mais do que o Ideb, uma medida precária que combina fluxo escolar e desempenho

 

 

O ex-ministro da educação do Chile, J. Lavín, recém demitido, desenvolveu um sistema que ficou conhecido como “semáforos de Lavín”. Ele usa o mapa do Chile combinado com geo-referenciamento para localizar a escola e acessar o seu resultado em provas nacionais. A cor da escola revela sua nota. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no Brasil, mais recatado, tem um site que permite identificar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de cada escola pública. Qual a novidade de Gustavo Ioschpe?

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Ele quer mais. Ele quer garantir que a comunidade local saiba do Ideb e tenha vergonha ou orgulho de sua escola. A ideia é que se a comunidade souber da nota da escola, então ela vai pressioná-la e, com isso, irá operar-se o milagre da melhoria da escola. Haveria, ainda, uma concorrência entre as escolas que, envergonhadas, procurariam mudar – como ocorre no maravilhoso mundo dos negócios, onde perdedores e vencedores disputam a atenção dos clientes. Nessa visão, a comunidade é um “conjunto de clientes”.

A base dessas ideias tem sempre a mesma fonte: anos 90, nos Estados Unidos. Lá, como se sabe, elas não melhoraram a educação (em 10 anos de Programa de Avaliação Internacional de Estudantes, Pisa, os Estados Unidos continuam na mesma e os testes nacionais não mostram nada diferente; há quem diga que piorou), mas criaram um mercado educacional de US$ 800 bilhões.

É um celeiro que contabiliza outras ideias como dar bônus para escolas, “ensinar” para os testes, privatizar via contratos de gestão (charter schools), lei de responsabilidade educacional com fechamento de escolas e demissão de professores. Não há país algum que tenha testado mais “maldades” contra as escolas e seus profissionais do que os Estados Unidos – sem sucesso.

A questão é o objetivo dessas ideias. Lá como cá, incluindo a filial chilena, os setores empresariais organizaram-se para tentar definir a agenda educacional nacional – aqui, sua forma de organizaçãomais evidente é o Movimento Todos pela Educação. Têm direito.


É sabido que o Brasil cresce a um ritmo que exige formação acelerada de mão de obra e, se isso não ocorrer, o valor do salário vai aumentar afetando o lucro. É fundamental, para segurar o salário, que haja uma base de oferta de mão de obra maior. Some-se a isso que as tradicionais reservas de exploração de mão de obra barata (as mulheres e o campo) estão esgotando-se.

Neste quadro, dependente cada vez mais de produtividade para assegurar o lucro, o que estamos assistindo, hoje, é a uma disputa das corporações pelo controle da agenda educacional – tanto ao nível dos Estados e municípios, como ao nível federal.

Está sendo reproduzida, no Brasil, a estratégia do “business roundtable” dos anos 90 nos Estados Unidos, quando um grupo de cerca de 300 CEOS de diferentes empresas convenceram – com grande apoio da mídia – vários estados a embarcar nestas ideias. O experimento mais famoso, hoje conhecido jocosamente como o “milagre do Texas”, no governo Bush, deu base para o fracassado “No Child Left Behind”, quando ele se tornou presidente. As tabuletas de Gustavo Ioschpe são herdeiras deste ideário. Há muito mais ações em andamento.

O Ideb é uma boa medida? Acadêmicos de todos os matizes dizem que não. O Ideb é uma medida precária, construída quando o Inep se entusiasmou com o No Child Left Behind americano. Baseia-se em uma medida de fluxo combinada com uma medida de desempenho. Qualidade da educação básica é mais que isso. O Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), em São Paulo, é uma formulação mais exigente e mais problemática ainda, pois acredita que se as escolas tiverem bônus por “carregar” a parte de baixo da curva de rendimento dos alunos usualmente com maiores problemas, então também dedicar-se-ão a ensinar para eles. Há mais causas em jogo.

Quanto mais pressão se faz, mais se cria potencial para “corrupção” da medida. A realidade das escolas não é fácil e como mostra Atlanta (EUA), no desespero, apela-se à fraude para sobreviver. Com o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) em São Paulo não é diferente. Na outra ponta, quanto mais se pressiona, mais se corre o risco do magistério “jogar a toalha”. Em São Paulo o volume de bônus distribuído em 2010 é menor do que em 2009 e as notas do Saresp despencaram em 2010.
Mas, se tivermos um “bom Ideb”, devemos colocá-lo em uma tabuleta nas escolas? Penso que não, apesar de não ter nada contra um bom Ideb. Os resultados devem ser prioritariamente para consumo pedagógico da escola. Precisam ser circunstanciados e validados internamente (técnica e politicamente), antes de produzirem consequências locais.
A escola é da comunidade e tudo que não queremos é ver a comunidade contra a escola.
Além disso, a escola é da comunidade e tudo que não queremos é ver a comunidade contra a escola. Melhor seria apostarmos em processos que a aproximassem da escola e criássemos mecanismos intraescolares concretos que dessem voz à comunidade, de forma organizada e democrática, para discutir a escola e seus resultados junto com seus profissionais – incluindo as demandas que elas têm a fazer ao poder público, chamando a comunidade para a defesa de um bem público. É preciso superar a ideia de “comunidade-cliente” importada da área dos negócios. O desafio é envolver os pais na discussão organizada da qualidade da escola, de forma produtiva e constante.

Devemos utilizar a força da comunidade para fazer com que os governos locais construam uma politica educacional baseada nas necessidades das escolas – trabalhar com as escolas e não contra elas.
A Suécia, por exemplo, combina as notas de avaliação externas (tipo Prova Brasil) com a avaliação pessoal dos professores sobre seus alunos. Isso aumenta a autoridade dos professores, dá força para a escola e provê uma melhor estimativa do que acontecerá no futuro com os alunos.

A proposta de Ioschpe, de adicionar pressão externa em um País que ainda tem “escolas de lata”, não é uma boa política. Temos que confiar em nossas escolas e em nossos professores; confiar na criação de instrumentos de cobrança e de melhoria da qualidade acordados entre escolas, comunidades e governos. Pressão, não vai ajudar. É como se colocássemos na porta de cada Delegacia de Polícia uma tabuleta com os índices de criminalidade do bairro esperan-do que, com isso, ela reduzisse. Muito cômodo; pouco eficaz.

Quando as escolas e seus profissionais estiverem envergonhados e as comunidades iradas com suas escolas, o que se espera que aconteça? Que mais professores talentosos venham dar aulas nestas escolas? Quando as escolas estiverem com a imagem comprometida na comunidade, o que se espera que aconteça? Que a comunidade olhe para sua escola com respeito? Que se aproxime para ajudar na educação dos filhos?

Em resumo: se os laços entre a escola e a comunidade se romperem, não se espere melhoria na educação. Escolas não são fábricas de sapato e comunidades não são “conjuntos de clientes”. A política educacional de Nova York caiu por confiar na “responsabilização por pressão”, não sem antes ter suas medidas de aprendizagem “corrompidas”. No Brasil, a ideia de Ioschpe poderá destruir a pouca credibilidade do Ideb.

Para especialistas, Ideb na porta da escola é inconstitucional

 

Professora e representantes do Direito da Criança e do Adolescente dizem que medida expõe a constrangimento e vexame




O projeto que obriga as escolas a colocar na porta da unidade a nota que obtiveram no Índice da Educação Básica (Ideb) expõe os alunos a constrangimento e vexame vetados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Constituição Federal. A conclusão é de especialistas na área ouvidos pelo iG.


Foto: Divulgação
O Secretário de Educação de Goiás, Thiago Peixoto, inaugura placa na porta de uma escola

A proposta em estudo pelo Congresso Nacional já está valendo por decreto na cidade do Rio de Janeiro desde o início do mês e no Estado de Goiás há uma semana. A ideia, do economista Gustavo Ioschpe, é que a exposição do índice mobilize a comunidade em volta das instituições com nota baixa para que pressionem professores e governantes.
Para isso, o Ideb – que é o resultado da nota obtida pelos alunos na Prova Brasil multiplicado pelo porcentual de estudantes aprovados – deve ser colocado em uma placa que iria do vermelho para o azul, deixando o mais claro possível se a escola foi bem ou mal na avaliação. Quando o Rio de Janeiro adotou a medida, estudantes ouvidos pela reportagem disseram concordar desde que a escola tivesse a nota boa e que sentiriam vergonha se estudassem em uma instituição má avaliada.
Para a titular da cadeira de Direito da Criança e do Adolescente na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, Glória Regina Lima, “não resta dúvida da inconstitucionalidade” da medida. “A Carta cidadã em seu artigo 227 estabelece, dentre outros, o dever do Estado de assegurar a educação à criança e ao adolescente e ainda determina salvaguardá-los de toda forma de discriminação”, explica ela.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, criado em 1990 e amplamente elogiado pela Unesco é mais específico. O artigo 18 impõe como “dever de todos” impedir qualquer tratamento “vexatório ou constrangedor”. “O famigerado decreto municipal está na contramão dos imperativos legais que priorizam com a mais absoluta clareza a preponderância dos interesses dos menores sobre qualquer outro”, conclui a professora.

A intenção de mobilizar pelo constrangimento já está errada, o objetivo parece ser a exposição que fatalmente vai levar ao vexame e ao preconceito”
Para Glória, não é problema o uso da nota internamente entre professores, alunos e comunidade, mas a exposição para pessoas não envolvidas diretamente e a atribuição dela às crianças que, ao entrar e sair do local, estarão sendo expostas. “A ideia promove a discriminação pelo contágio moral, que alcança induvidosamente a criança e o adolescente e os profissionais que integram a escola, ferindo de morte um dos direitos fundamentais o da dignidade de pessoa humana”, acrescenta, referindo-se ao artigo 5º da Carta Magna.
O vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, Ariel de Castro Alves, acha que o próprio objetivo da lei desrespeita o ECA. “A intenção de mobilizar pelo constrangimento já está errada, o objetivo parece ser a exposição que fatalmente vai levar ao vexame e ao preconceito”, diz.
Na opinião dele, as normas em vigor no Rio e em Goiás não têm validade por contrariar legislações maiores como o ECA e a própria constituição. “Na Câmara dos Deputados e no Senado a proposta deve ser avaliada por uma comissão de justiça que deve perceber a contradição”, analisa.
O especialista em Direitos Humanos pela Universidade Complutense de Madrid e membro da Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, Carlos Nicodemos, acha que trata-se de “obrigar a sociedade a executar um processo discriminatório”. Para ele, o Ideb está disponível para interessados e não é necessário expor em local de passagem dos alunos. “Além de ferir o ECA, o Estado está delegando a comunidade um papel que é dele, de dar educação de qualidade para as crianças."
Ele também critica a falta de alternativa aos estudantes. "Se eles se sentirem constrangidos, deveriam poder escolher onde estudar. Infelizmente não é esta a realidade ofertada."
Resposta dos governos

Questionadas, as secretaria de Educação do município do Rio de Janeiro e do Estado de Goiás não responderam sobre a questão jurídica, mas defenderam a posição.


A pasta do Rio enviou a seguinte nota: "A decisão de divulgar o Ideb e o IDE-Rio e as metas de melhoria do ensino a serem alcançadas pelas escolas, de acordo com orientação do Ministério de Educação, tem como objetivo informar a sociedade como está o desempenho educacional de cada escola e, assim, engajar a comunidade escolar no processo de melhoria da qualidade do ensino. A Secretaria informa, ainda, que a ideia foi inspirada, também, pela iniciativa da direção do Ciep Lindolfo Collor, em Rio das Pedras, Jacarepaguá, de afixar nas paredes da unidade as metas a serem alcançadas em 2010, conseguindo, assim, envolver toda a escola na melhoria do ensino. Como resultado, ressalta a SME, a escola conseguiu atingir a meta, garantindo aos professores e funcionários o Prêmio Anual de Desempenho."
A Secretaria Estadual de Educação de Goiás informou que trata-se de uma medida que visa "despertar na sociedade, sobretudo nos pais e responsáveis pelos estudantes, o interesse pela educação pública e mostrar a necessidade de que todos, de uma forma ou de outra, se engajem para que educação de qualidade seja acessível a todos".
A nota segue: "A Secretaria da Educação avalia que a nota do Ideb afixada na escola vai dar às famílias o direito de conhecer a qualidade do ensino que seu filho está recebendo. Também despertará nelas o interesse sobre o que representa aquela nota e o que fazer para que ela aumente. E então já teremos aí um dos fatores apontados por estudos nacionais e internacionais como um dos mais importantes no desenvolvimento escolar do estudante: o envolvimento de sua família, o acompanhamento de seus pais, o estímulo e a atenção daqueles que são os precursores daquilo que a escola deve oferecer mais adiante, uma boa formação. A Secretaria da Educação naturalmente não deixaria de lado a mobilização social como uma das ferramentas para apoiar o trabalho de elevar a qualidade da Educação no Estado. Com o acompanhamento de todos, inclusive dos professores, que certamente lutarão para que seu trabalho na escola atinja os melhores resultados, e com as ações que desde o começo deste ano estão sendo implementadas por este governo, muito em breve as placas com a nota do Ideb serão motivo de orgulho para todas as escolas estaduais e para toda a comunidade escolar."
 

Foto: Reprodução
Trechos extraídos das leis

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo  23/08/2011

Saiba quanto custa a sua educação


A educação é um dos principais investimentos das famílias brasileiras. Segundo o economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, a classe média chega a gastar até 25% de seu orçamento familiar com o ensino dos filhos. Com base em um estudo feito pelo Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent), o iG fez projeções de quanto cada classe social gasta da pré-escola à faculdade com educação.

A pesquisa leva em conta o comportamento das classes sociais brasileiras e seus padrões de gastos com educação dos 6 meses aos 23 anos de idade. Foram considerados dados referentes às mensalidades de escolas particulares, cursos extracurriculares, alimentação escolar, transporte, material didático, livros e revistas. Uma pesquisa de mercado incluiu itens como intercâmbio, cursos de idiomas no exterior e cursinho pré-vestibular.
“A educação é vista pelas classes mais privilegiadas com um dos melhores investimentos”, aponta Adriano Maluf Amui, diretor do Invent e responsável pelo estudo. De acordo com o professor Leite, hoje há consciência da necessidade de ter uma melhor qualificação. “Na medida em que a classe média aumenta de tamanho, famílias que antes mantinham seus filhos no ensino público estão migrando para a rede particular”, destaca. A consequência é um maior comprometimento da renda com o ensino.
Quem estuda na rede pública, não tem gastos diretos com mensalidade escolar – e por isso eles não aparecem no infográfico. Mas o investimento fica por conta do Estado. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) a soma dos gastos dos governos federal, estadual e municipal em 2009 dá um custo médio por aluno nos ensino médio e fundamental de R$ 2,9 mil por ano. Já no ensino superior, cada matrícula em uma instituição pública custa em média R$ 15,4 mil anuais.

A análise da Invent foi feita em 2008, com base em pesquisas feitas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Para chegar aos números atuais, foi aplicada a inflação dos últimos dois anos – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2009 e 2010 – e usado o valor do dólar de 1º de agosto (R$ 1,56).





Fonte:
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao

sábado, 13 de agosto de 2011

Aprendizado na era digital

Novas Tecnologias


Yannik D´elboux

Jovens das gerações Y e Z estão mais acostumados a ser multitarefa, mas têm concentração distribuída em um universo recheado de estímulos; desafio do professor é captar a atenção do aluno do século XXI

Quantas coisas você está fazendo neste exato momento? Se está apenas lendo essa reportagem talvez você tenha mais de 30 anos. As gerações mais jovens, que nasceram ou cresceram na era digital, já são mais adaptadas à característica mais predominante da sociedade atual: ser multitarefa. As novas tecnologias, principalmente o celular, o computador e a internet, transformaram o mundo, a forma como as pessoas se relacionam, e, para alguns pesquisadores, estão modificando também o cérebro, além de mudarem definitivamente o processo de aprendizado. Entretanto, a escola continua na idade da pedra, ensinando as chamadas gerações Y e Z como fazia com nossos avós. Se o processo de mudança é lento, os professores podem ajudar a acelerar essa transformação buscando compreender como funciona o cérebro das crianças e dos adolescentes de hoje e se conectando às novas tecnologias para diminuir o abismo entre o mundo do século XXI e a escola.

Depois do Homo Sapiens, podemos estar diante do Homo Interneticus (como foi chamado pela rede de TV britânica BBC no documentário The Virtual Revolution) se os estudos do neurocientista Gary Small, pesquisador da Universidade da Califórnia (EUA), estiverem certos. Small acredita que desde quando o homem primitivo aprendeu como usar uma ferramenta o cérebro não sofria um impacto tão grande e significativo como ocorreu com o uso da internet. A enxurrada de estímulos aumenta as conexões cerebrais e acelera o processo de tomada de decisões. Mas da mesma maneira que escolhe rapidamente o que ver ou ler na internet, o nativo digital analisa se o que o professor está falando tem relevância e, consequentemente, se merece ou não sua atenção. Como então tornar o conteúdo em sala de aula relevante para a criança e o jovem acostumados a ter um universo de informações, cores e sons na ponta dos dedos? Só levar o computador para dentro da escola não é a resposta.



Cérebro

O primeiro passo para elaborar técnicas mais eficientes de aprendizado é tentar entender o desenvolvimento do cérebro da criança e do adolescente. Em cada fase da infância e da adolescência acontecem processos distintos e fundamentais para a evolução cerebral, com progressos diretamente relacionados à quantidade de estímulo. Apesar de o cérebro seguir uma programação biológica, existem outros fatores que influenciam a sua progressão. “Hoje sabemos que o aprendizado é um processo extremamente dinâmico com modificações exuberantes na química e estrutura cerebral, o que torna o educador um verdadeiro escultor do cérebro da criança”, afirma o neurologista da Infância e Adolescência, Marco Antônio Arruda.

As pesquisas de Gary Small apontam que o uso da internet aumenta a atividade cerebral, ativando mais áreas do cérebro do que durante a leitura de um livro. Ao ler, além da visão (córtex occipital), dos movimentos oculares (tronco cerebral e córtex parietal) e do equipamento responsável pelo processamento da linguagem (lobo frontal), são utilizadas áreas dedicadas ao julgamento (córtex pré-frontal) e gerenciamento das memórias (circuitos frontais e temporais). “Para procurarmos um termo no Google, por exemplo, precisamos, além dessas áreas, outros circuitos responsáveis pelo rastreamento ocular e tomada de decisão”, explica Arruda. Entretanto, para o médico, isso não significa que as novas tecnologias mudaram o funcionamento do cérebro, mas que áreas até então “adormecidas” estão sendo usadas.

Os alunos que cresceram pesquisando no Google, fazendo hiperlinks, navegando por múltiplas “janelas” no computador, conversando com vários amigos ao mesmo tempo por mensagens instantâneas e brincando no videogame, são, em geral, mais ágeis para processar conteúdos, tomar decisões e coordenar múltiplas tarefas, tendendo a serem mais interativos, mas com maior dificuldade de dedicar atenção exclusiva a alguma coisa. O fenômeno do mundo digital é recente e ainda não se conhece toda a extensão de seu impacto na mente e no comportamento dos jovens. Entretanto, especialistas têm observado que o Homo Interneticus, devido ao seu caráter mais recluso e mais voltado à realidade virtual, tem menos habilidades sociais, emocionais e com a linguagem. “Pesquisas recentes começam a revelar com mais clareza o impacto do uso do computador e da internet. Algumas revelam que o uso do computador não aumenta o léxico (vocabulário) das crianças e jovens”, destaca a psicóloga e neurocientista Elvira Souza Lima.

Segundo o neurologista Marco Arruda, também há estudos que mostram uma menor estimulação dos lobos frontais de indivíduos que cresceram neste contexto. É nessa região que ficam as funções executivas responsáveis por tarefas como estabelecer um objetivo, criar estratégias, planejar o futuro, monitorar ações, tomar decisões e avaliar o desempenho para realizar ajustes. Isso significa que as gerações atuais são mais imediatistas e vivem uma busca incessante de prazer a curto prazo. “Vejo cada vez mais a dificuldade deles em adiar recompensas”, ressalta. Em uma pesquisa que está sendo realizada pelo neurologista com oito mil crianças de 22 estados brasileiros, chamada de Projeto Atenção Brasil, foi verificado que crianças capazes de adiar recompensa apresentam 2,4 vezes mais chances de ter um desempenho escolar acima da média do que aquelas que não possuem a mesma capacidade.



Geração Y

Os nascidos entre 1980 e 2000 pertencem à chamada geração Y, à qual a capacidade de ser multitarefa é sempre associada. O consultor e administrador Sidnei Oliveira, especialista em desenvolvimento de novos talentos, programas educacionais e comportamentais, vê a questão por outro ângulo. Ele acredita que essa é uma demanda da sociedade atual, que pressiona todos os indivíduos a fazer tarefas simultaneamente. A diferença é que para o jovem isto é mais fácil. “A geração que nasceu de 1980 para cá já vive isso há muito mais tempo, então tem mais habilidade e intimidade com a tecnologia”, enfatiza.

Uma crítica constante à geração Y é com relação à falta de atenção e concentração. Oliveira acredita que esse aparente desinteresse do aluno de hoje, reclamação constante entre os professores, advém de três principais razões: da ausência de “eco” na atitude do professor, ou seja, o educador está distante do mundo do estudante; da exposição a um número maior de estímulos e possibilidades para prender sua atenção; e da diferença de foco, já que a atenção desse jovem é distribuída.

Outro aspecto destacado pelo professor de Comunicação Digital da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), de São Paulo, José Carlos Rodrigues, é a influência da “snack culture”, ou seja, o grande consumo de informação, porém de forma superficial, no comportamento do aluno. É comum no meio digital a substituição de notícias por posts ou mensagens cada vez menores. “A ‘snack culture’ corrobora com a questão da falta de interesse em qualquer atividade que demande atenção exclusiva ou um aprofundamento maior sobre determinado assunto”.

Já se fala em geração Z para denominar os indivíduos nascidos a partir do ano 2000 ou de pais que também cresceram no mundo digital. Além de ser a próxima letra do alfabeto, alguns também associam a designação ao comando ctrl+Z (desfazer), isto é, essa seria a geração em que tudo pode ser refeito. Essa característica também pode ser observada nos cadernos da geração Y. O aluno, acostumado com o teclado, tem dificuldade em escrever à caneta. “A facilidade, no ambiente digital, em se refazer algo (apagar e escrever de novo) faz com que o pensamento sobre o que se está escrevendo seja mais rápido, porém com menor julgamento. Quando se fala, contudo, em escrever um texto à caneta, o que mais se vê são rasuras e textos reescritos diversas vezes. Isso porque o pensamento deste aluno não faz mais um filtro forte das ideias antes de elas serem externalizadas”, descreve Rodrigues.



Papel do professor

Finalmente, o que o educador pode fazer para prender a atenção do aluno da era digital? Como tornar a escola interessante? O que pode existir dentro da sala de aula que não esteja na internet? O professor ainda tem uma arma em mãos mais eficiente que qualquer web que possa surgir: o conhecimento. Mas não adianta querer simplesmente transmitir este conteúdo - se você é um professor orgulhoso do seu conhecimento e da sua experiência, ávido por falar por horas, no século XXI você está obsoleto. A função do educador no mundo digital é ajudar o aluno a construir conhecimento. Neste contexto, a professora e pesquisadora do programa de pós-graduação em Educação e do curso de graduação em Pedagogia da Unisinos, Eliane Schlemmer, afirma que “cada vez mais o professor vai ser fundamental, mas não o professor passador de conteúdo, o professor que problematiza, que instiga, que ajuda o aluno a construir seu conhecimento na interação com os demais e também com várias fontes de informação”.

A internet traz um grande volume de informações e os alunos conhecem os meios para buscá-las, mas não como organizá-las, filtrá-las, identificar sua relevância, o que pode ser usado e em qual contexto. É por esse motivo que o professor sempre será indispensável. Conectar-se às novas tecnologias é essencial para o docente compreender melhor o universo do seu interlocutor, porém não basta. “Não é a nova tecnologia que ensina. É o professor. A tecnologia é um dos meios de ensinar e traz sem dúvida, novas possibilidades para a docência. No momento há muita confusão entre tecnologia e conhecimento”, alerta a pesquisadora Elvira Lima.

A criança e o jovem da era digital estão acostumados a serem participativos, a exercerem como na web 2.0 o papel de co-criadores de conteúdo, além de também aprenderem ensinando aos colegas nas redes sociais. Tudo isso tem que ser levado em conta pelo educador que quer evoluir com seu tempo. O professor José Carlos Rodrigues também sugere trazer mais do mundo da internet para a sala de aula, pois acredita que refletindo a realidade dos alunos a escola será mais eficaz em sua missão de ensiná-los a pensar. “Estão vendo esse vídeo dos animais bêbados com amarula? Por que o álcool os deixa assim? Relacionar as conversas vigentes no mundo digital com o conteúdo é o caminho ideal para obter a atenção dos alunos e, mais do que isto, é relacionar o conteúdo ‘da matéria’ com algo que é absorvido por eles de uma forma espontânea”.



Texto publicado originalmente na edição de Julho de 2010 da revista Profissão Mestre

Yannik D´Elboux é repórter das revistas Profissão Mestre e Gestão Educacional. E-mail: yannik@humanaeditorial.com.br




Feliz Dia do Estudante

Recados para Orkut

Por quê?
Porque no dia 11 de agosto de 1827, D. Pedro instituiu no Brasil os primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do país. Ele fez isso para quem quisesse estudar não precisasse mais ir para Portugal ou Coimbra atrás de conhecimento.Cem anos depois, Celso Gand Lev propôs uma homenagem a todos estudantes do país. Desde 1927 comemora-se essa data.







Letra cursiva na berlinda



Yannik D´elboux

Em tempos de era digital, o uso da letra manuscrita, sobretudo a cursiva, está ficando praticamente restrito à escola. No mundo do trabalho, dominado pelos computadores, muitos nem se lembram direito como escrever à mão, quanto menos fazer todas as “voltinhas” no caderno de caligrafia. Com exceção de poucos bilhetes ou assinaturas em documentos oficiais, até a própria escrita manual já é rara. Ninguém quer mais escrever no papel com medo de a letra parecer feia ou de não poder mudar de ideia e “deletar”. Enquanto isso, na sala de aula, as crianças passam anos aprendendo a desenvolver diferentes traçados até chegar, finalmente, à letra cursiva, quase sempre a mais complicada para os alunos. Se o trabalho dos professores costuma ser grande e a aplicação prática é pequena, ainda vale a escola reservar tempo para o ensino da letra cursiva? Conhecer apenas a letra de forma não seria suficiente para ser alfabetizado hoje? O tema é controverso e a resposta não é tão simples.

Para aqueles que defendem a necessidade da escrita cursiva, tecnicamente chamada de amalgamada, a principal justificativa para o ensino é a fluência, a rapidez que essa forma proporciona na hora de escrever, já que não é preciso tirar o lápis ou a caneta do papel a cada letra. Mas qual é a necessidade de ser tão rápido? Para poder tomar notas durante qualquer situação em que a tecnologia não esteja disponível.

Porém, se o uso de computadores, smartphones e tablets se tornar uma realidade nas escolas, ainda assim a letra cursiva teria seu espaço garantido? O especialista em alfabetização João Batista Araujo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, acredita que ainda é cedo para colocar essa questão na ordem do dia das escolas. “Pelo menos por enquanto, mesmo nos países altamente influenciados pela tecnologia, a escrita ainda é muito utilizada nas situações práticas da vida. Seria temerário que as próximas gerações não cheguem à vida adulta com esses instrumentos. Se algum dia a escrita manuscrita for abolida, aí sim a escola não precisa se preocupar mais com isso”, afirma.

A escrita cursiva ainda é uma exigência em algumas provas, alguns vestibulares e concursos públicos. Mas muitos já passaram a aceitar também a letra de forma ou de imprensa, como também é chamada, desde que seja feita a diferenciação entre maiúsculas e minúsculas. E aí é que está o problema. Muitas pessoas saem do ensino fundamental sem saber fazer as duas formas. O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Geraldo Peçanha de Almeida explica que na educação infantil muitas vezes os educadores passam três anos ensinando apenas a letra bastão maiúscula (ou caixa alta) para facilitar o processo de aprendizado. Depois a criança começa a aprender a letra cursiva e acaba não treinando suficientemente as letras de forma minúsculas. “E não se pode escrever tudo em letra maiúscula, é um erro ortográfico”, lembra. O docente ressalta que se a escola focasse no ensino dos dois tipos não haveria empecilho em escolher esta forma de escrita ao invés da cursiva se a criança se adaptasse melhor. “Se a escola ensinasse a maiúscula e a minúscula não haveria nenhum problema de a criança escrever o resto da vida em letra bastão”, resume.

Dificuldade de aprendizado

O processo de ensino da letra cursiva geralmente começa entre os 6 e 7 anos de idade e exige habilidades relacionadas à coordenação motora fina. Até pegar prática e fazer um traçado legível a criança demora cerca de três anos. Isso significa que, em média, por volta dos 9 anos o estudante terá desenvolvido a forma de escrita que utilizará ou não ao longo da vida – dependendo de como a tecnologia evoluir e a sociedade se adaptar às mudanças.

Não são raros os alunos que têm dificuldade para aprender a letra cursiva. E existem vários motivos associados ao problema. O professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, Luiz Carlos Cagliari, acredita que a deficiência no aprendizado está relacionada à metodologia de ensino. “Em geral, vejo que crianças problemáticas com a escrita não apresentam o mesmo tipo de problema quando desenham. Então, há algo de errado com o modo como são ensinadas. Adotando várias etapas para se chegar à escrita cursiva fica mais fácil.”

Cagliari sugere o uso de gabaritos para facilitar a escrita, além de um pouco mais de paciência do educador, que pode deixar o aluno usar a escrita maiúscula ou bastão enquanto ele não se sentir à vontade com a forma concatenada. Entretanto, alerta que o maior problema é quando o aluno não sabe ler escrita cursiva, que muitas vezes é opaca aos olhos da criança, pois as letras não são tão separadas e diferenciadas quanto na forma bastão.

Geraldo Almeida defende que a letra cursiva seja ensinada mais cedo, ainda na educação infantil, para facilitar o processo. “A partir do momento que a criança reconhece na letra bastão que determinada marca é ‘A’, se ela reconhece esta marca para o som ‘A’, já pode ser introduzida a letra cursiva.” O professor da UFPR lembra que além da coordenação motora fina da ponta dos dedos, que costuma ser bem exercitada nas escolas e acaba sendo também naturalmente mais desenvolvida por causa da familiaridade das novas gerações com o teclado, é preciso trabalhar todo o segmento do braço para possibilitar a movimentação adequada durante a escrita.

De qualquer forma, Almeida acredita que a escola não deve ficar focada apenas na dificuldade da criança porque algumas podem nunca aprender a escrita cursiva, porém isso não significa que não sejam alfabetizadas. Ele diz que insistir nesta forma de escrita prejudica ainda mais o desenvolvimento do aluno. “Não seria o caso de a escola continuar batalhando para a criança fazer a letra cursiva porque esse bloqueio motor vai levá-la a um bloqueio mental também”, afirma. Nesta situação, o professor sugere que a instituição continue o processo de alfabetização desse aluno com letra bastão maiúscula e minúscula.

Cagliari insiste que o problema está mais no lado de quem ensina do que de quem aprende. Ele destaca que muitas escolas sequer passam aos educandos o conhecimento de como segurar o lápis de modo correto. “Alguns alunos começam a escrever como se fossem canhotos, colocando a mão acima da linha de escrita, porém usando a mão direita. Alguns escrevem segurando o lápis como se fosse um bastão e ao escrever não conseguem ver o que estão fazendo. Um pouco de disciplina artística no uso do material de escrita ajuda a evitar problemas.”



Espécie em extinção?

Qual teria sido a reação na época se alguém dissesse que o pergaminho e a caneta-tinteiro iriam desaparecer? Nem sempre as mudanças são vistas com entusiasmo em um primeiro momento. Será que a letra cursiva – quiçá a escrita manuscrita de forma geral – também está próxima de se tornar obsoleta? Os especialistas se dividem entre os mais puristas, que temem a perda deste conhecimento, e os mais vanguardistas, que acreditam que é preciso evoluir com a tecnologia. Porém, todos concordam que no momento atual a escrita ainda é uma necessidade social. “Do homem das cavernas ao homem moderno, precisamos da escrita por uma questão de cidadania”, afirma o professor da UFPR. Entretanto, ele mesmo acredita que esta realidade está com os dias contados e diz que se no mundo do trabalho a escrita manuscrita sobreviver por mais 10 anos, no ensino fundamental não passará de 50 anos, o que significa que os professores precisam desde já começar a debater a questão. “A letra manual não tem mais espaço na sociedade. Porque não temos mais o cronológico (tempo) disponível para ela”, dispara.

Já o pesquisador da Unesp não concorda que a escrita manuscrita, inclusive a cursiva, irá desaparecer das instituições de ensino nem da vida das pessoas na sociedade. Por outro lado, Cagliari admite que a escrita via computador poderá ser mais utilizada do que a caneta ou qualquer outra coisa. “Isso é próprio da evolução da civilização e quem não se adaptar irá ficar para trás, com muitos problemas. Portanto, a escola deveria usar cada vez mais computadores para todas as atividades de escrita, desde a pré-escola”. Mesmo assim, ele defende a importância de possuir as duas habilidades de escrita: manuscrita cursiva e escrita digitalizada, pois acredita que a falta de uma delas “significa uma restrição para a vida de um indivíduo no mundo de hoje”. Além disso, Cagliari diz que é uma vantagem cultural dominar todas as formas.

Para o presidente do Instituto Alfa e Beto, a escola precisa ser prudente e esperar a escrita desaparecer primeiro antes de agir. Sobre o uso da forma cursiva ainda nos dias de hoje, declara: “A letra cursiva é mais eficiente: você raramente tira o lápis do papel. Esta é a única razão para dominá-la. Mas é uma razão muito forte. É preciso ter muita prudência para não descartar a sabedoria e a experiência acumulada pela humanidade.”

Com relação às habilidades motoras que escrever com letras concatenadas proporciona, todos são unâmimes em dizer que não existe uma perda de coordenação no desenvolvimento do aluno que não pratica a escrita cursiva. Esta capacidade é aprimorada em diversas outras atividades escolares. Para responder a pergunta sobre se ainda vale a pena reservar tempo em sala de aula para ensinar a letra cursiva, é preciso “ter bola de cristal”. Existem muitos indícios de que o uso da escrita manuscrita está desaparecendo, sobretudo quando se olha para o mundo do trabalho e para o aumento progressivo dos computadores nas escolas. Porém, ninguém sabe qual é o momento certo de abandonar um conhecimento em prol de outros. O mais importante por enquanto é ponderar sobre a questão para ter a capacidade de se adaptar às mudanças que afetam a sociedade e, consequentemente, não podem ser ignoradas pela escola.



Matéria publicada na edição de setembro de 2010 na revista Gestão Educacional.

Yannik D´Elboux é repórter das revistas Profissão Mestre e Gestão Educacional. E-mail: yannik@humanaeditorial.com.br

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