domingo, 24 de outubro de 2010

sábado, 23 de outubro de 2010

Como extrair o audio de um vídeo???

Semana passada estava procurando uma música bem bonita para um projeto de criação de um DVD para o dia das mães. No site youtube, encontrei várias músicas lindas, mas com aquelas imagens carregadas, tentei extrair a musica do vídeo usando o vlc só que não ficou legal, então, resolvi pesquisar um aplicativo gratuito para ripar a música do vídeo.
Encontrei algumas sugestões, mas gostei mesmo foi do "YouTube to MP3 Converter", super leve e fácil de usar .


Basta você copiar a URL e colar na caixa acima, escolher uma pasta para salvar o arquivo de áudio e selecionar o formato.
Baixei o programa, instalei e extrair a música do video super rápido.

Clique na imagem acima para baixar o programa...

O Itaú cultural está distribuindo gratuitamente milhões de livros.


Desde o dia 11 de outubro o Itaú cultural está distribuindo gratuitamente milhões de livros.
Porque acredita que incentivar o gosto pela leitura é um bom caminho para o desenvolvimento
completo das crianças e fundamental para o crescimento do pais.
A coleção Itaú de livros infantis é feita de quatro volumes, para você ler e reler com seus filhos,
sobrinhos, netos ou alunos.

Faça o pedido da coleção clicando aqui.

O Conselho Nacional de Justiça lançou uma cartilha para combater o bullying nas escolas.

Cartilha de combate ao bullying do Conselho Nacional de Justiça ajuda pais e escola


O Conselho Nacional de Justiça lançou na quarta-feira (20) uma cartilha para ajudar pais e educadores a prevenir o problema do bullying nas suas comunidades e escolas. O material está disponível gratuitamente na internet.
 
A cartilha contém 15 tópicos que tratam desde a definição do bullying e suas manifestações, até como os pais e educadores podem lidar com os casos. Um dos temas ajuda a identificar se a criança está sofrendo o assédio a partir de seu comportamento em casa e na escola.
A publicação é de autoria da médica psiquiatra Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, que também escreveu o livro “Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas” sobre o mesmo tema. O lançamento foi feito durante o seminário Projeto Justiça na Escola, que acontece esta semana na Escola de Magistratura Federal (ESMAF), em Brasília.
fonte: http://educacao.uol.com.br

A cartilha foi criada para profissinais envolvidos com a educação, além da família. A cartilha tem como objetivo ensinar a identificar no estudante sinais de violência física ou psicológica, mostrando também como o agressor escolhe a vítima.

Fonte: CNJ - Conselho Nacional de Justiça

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Ensino Brasileiro



É a nossa dura realidade: o ensino no Brasil é um dos piores do mundo, tanto em escolas públicas quanto em particulares. E o que os brasileiros pensam disso? Que está tudo ótimo! É isso aí, uma pesquisa encomendada pela revista VEJA à CNT/Sensus mostra como estamos alheios à luta pela qualidade das escolas brasileiras.

Em pleno século XXI, as pessoas acham que as escolas públicas brasileiras são boas porque oferecem merenda e livros didáticos de graça. Mas nossas escolas não estão nem um pouco preparadas para formar cidadãos pra esse século. Estamos novamente ignorando o presente e dizendo que “somos o país do futuro”.

De acordo com a pesquisa...

Os professores disseram que o ensino em 60% das escolas públicas e 94% das escolas particulares é ótimo. Os pais disseram algo parecido, 63% das escolas públicas e 92% das escolas particulares teriam um ensino ótimo. E os alunos também aprovaram suas escolas, para eles 68% das públicas e 93% das particulares são exemplos na área de ensino.

90% dos professores disseram que estavam bem preparados para dar aulas. Os professores também disseram que 58% das escolas públicas e 77% das particulares preparam os alunos ADEQUADAMENTE para o futuro! Os alunos concordam com seus professores e acham que 61% das escolas públicas e 86% das particulares os preparam adequadamente para o futuro.

Na pesquisa realizada pela CNT/Sensus, de acordo com os níveis dados ao ensino brasileiro por pais, professores e alunos poderíamos ser comparados à Finlândia, um país europeu rico e com um dos melhores sistemas de ensino do mundo (mas a qualidade finlandesa é real)!

Na realidade...

# 22% dos professores do ensino básico não têm diploma universitário;
# 16% dos alunos brasileiros repetem a primeira série do ensino fundamental;
# 60% dos estudantes chegam ao fim da oitava série (ou nono ano) sem saber interpretar um texto ou efetuar operações matemáticas simples;
# O Brasil está em 52º lugar em ciências e em 53º lugar em matemática em um ranking de 57 países.

Para mudar a realidade, é preciso enxergar-la. Um futuro para o Brasil passa por um bom sistema de ensino no presente, mudar nossa mentalidade e analisar o real de forma clara e objetiva é o primeiro passo para tornar o ensino brasileiro em uma fábrica de cidadãos.

Isso é necessário, isso é nossa missão!

A ESCOLA QUE TEMOS E QUEREMOS


Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”
                                                                                                     
                                                                         Rubem Alves




Gostaria de iniciar este post com as seguintes perguntas:
Que tipo de Escola temos e queremos ter? Que cidadãos queremos formar na escola de hoje e na escola de amanhã?
Tendo em vista algumas questões levantadas em sala de aula com os meus alunos nas aulas de Conhecimentos  Didáticos Pedagógicos do Ensino Fundamental a respeito do texto  que estávamos trabalhando sobre a questão da Democratização da Escola  Pública, no livro de Didática de José Carlos Libâneo, senti a importância trabalharmos e discutirmos em aula a respeito do tema:  Que escola temos e que escola queremos?
Tal  pergunta, levantou uma série de questionamentos que me levaram a um profundo repensar da Escola Pública que temos hoje e daquela realmente necessária, e que formará os cidadãos do futuro.
É com a seguinte citação abaixo que inicio algumas reflexões que faremos aqui.



“A escola que temos parece, cada vez mais, um espaço do desaprender. Preocupados, tentamos novos caminhos. Mas nossas tentativas ainda são muito tímidas e modestas. Falamos muito. Mudamos pouco. E a situação precisa de um choque, de alterações radicais. Fora dos muros escolares as coisas vão acontecendo mais rapidamente. As alterações são profundas. Com isso, a escola fica mais atrasada ainda.
Faz algum tempo que venho insistindo na necessidade de reconsiderar os espaços escolares. Se eles continuarem com sempre foram, introdução de novos meios, de novas formas de comunicação, mudará muito pouco, quase nada. A escola comeniana (espelhada no moinho) é uma máquina poderosa de moer novidades.  Já moeu o cinema e a TV.  Está moendo o computador.
Qual a mudança necessária?”



“ O sistema educacional brasileiro está inserido no contexto do sistema global capitalista que atualmente se encontra em crise. 
Para melhor entendermos tal crise e posteriormente tentar respondê-la é necessária a formação de um projeto político-pedagógico, ou melhor, um projeto de uma educação para a emancipação humana.
Para pensarmos em um projeto emancipatório, temos que analisar algumas questões: a sociedade, o indivíduo e a educação que temos e que queremos. De início fizemos um breve histórico da sociedade que temos, em seguida a perspectiva que temos; posteriormente uma reflexão do indivíduo que temos e que queremos e finalmente um apanhado histórico da educação que temos e sua perspectiva.
É na sociedade moderna que se forma a idéia de educação para formar cidadãos, escolarização universal, gratuita e leiga, que deve ser estendida a todos; a escola passa a ser a forma predominante da educação.
De acordo com Enguita (1989), era preciso inventar algo melhor e inventou-se e reinventou-se a escola; criaram escolas onde não havia, reformaram-se as existentes e nelas introduziu-se a força toda a população infantil. A instituição e o processo escolar foram reorganizados de forma tal que as salas de aula se converteram no lugar apropriado para se acostumar às relações sociais do processo de produção capitalista, no espaço institucional adequado para preparar as crianças e os jovens para o trabalho.
O que queremos é a emancipação da educação como princípio educativo e a formação de um sujeito da emancipação como objetivo.
Este trabalho foi realizado tendo por base uma fundamentação histórica da sociedade em que vivemos, para então, em particular analisarmos a situação atual de nossa educação que hoje está inserida em uma sociedade em crise.”


Rodiney Marcelo Braga dos Santos
Colunista Brasil Escola
Especialista em Gestão Escolar (UECE).




            A partir das seguintes citações acima, chego a conclusão que a escola pública hoje encontra-se imersa numa verdadeira teia, onde não se sabe o começo e o fim de tantos problemas que a cerca.
Sonhamos sim, com uma escola igualitária, com acesso para todos, mas também vislumbramos as dificuldades que muitos em nosso país ainda possuem quando se deparam com a realidade do que seja a verdadeira escola pública , que infelizmente ainda não é para todos.
Isso pude constatar quando trabalhei o assunto em questão em sala de aula, e  gostaria de compartilhar aqui algumas frases e textos citados por meus alunos.




“ A escola que temos, infelizmente não é a escola dos sonhos, mas como vivemos num mundo onde nem todos podem pagar uma escola particular, a única solução é estudar numa escola do Município ou do Estado.
Hoje, as escolas públicas tem uma precariedade muito grande como falta de professores, bibliotecas que não funcionam, alunos desmotivados...
A escola que o povo quer e nós estudantes também queremos, é uma escola que cumpra seu dever... uma escola onde os professores não tenham medo de lidar ou de se aproximar do aluno, sem o receio de ser ‘roubado’, pelo fato de estar numa comunidade carente, onde o sistema funcione, onde alunos e professores sejam respeitados e que os diretores sejam mais participantes nas atividades escolares,”
                                                                                                                       D. Gonçalves



“A escola que temos hoje, infelizmente é a escola que muitos não gostariam de ter; mas como as pessoas de baixa renda não tem condições para pagar uma escola particular para seus filhos, o jeito é colocá-los nas escolas públicas...”
                                                                                                                        G. S. Sales

“ A escola que temos hoje, infelizmente é aquela em que temos muitas carências... é aquela onde as leis não são cumpridas, onde faltam muitos recursos e professores.  È aquela em que os professores estão estressados e sobrecarregados pelas longas e duras horas de trabalhos acumulados, é aquela em que a desvalorização começa pelos nossos governantes que não investem todos os recursos necessários para que seja dada uma educação de qualidade ao povo brasileiro. Porém sonho com a escola  que faça a diferença na vida dos alunos, que seja valorizada em seu sentido amplo, onde pais, mestres  e alunos se conscientizem e se unam para que escola seja de qualidade, que os governos façam cumprir as leis e que todos tenham acesso a verdadeira escola pública de qualidade que  tanto sonhamos...”
                                                                                                                         T. de Moura



“Hoje a escola que temos, é uma escola ainda atrasada em relação a muitas coisas e as muitas mudanças do nosso tempo. É aquela em que muitos alunos ainda se sentem desmotivados em estudar, onde os professores são desrespeitados e desvalorizados tanto pela sociedade, quanto pelos nossos governantes. É aquela em que ainda falta o diálogo entre escola e sociedade. Mas...o que podemos fazer para transformar nossa escola? Que atitudes deveremos tomar para que ela não seja uma escola que exclua? Como tornar os alunos, pais, professores e todos que atuam e participam da vida na escola comprometidos de verdade?
                                                                                                                   B. F. dos Santos




                    Essas foram apenas algumas colocações que destaquei entre tantas outras que foram analisadas por mim em suas escritas.
                    Pude observar que há uma preocupação muito grande em que essa escola não morra, há uma preocupação sim, em relação a escola e que muito incomoda a sociedade que ainda vê a escola pública , principalmente como um único meio de acesso ao saber....
                    Foi pensando nisso tudo que resolvi expressar aqui  a minha indignação, revolta, um grito pela escola que tanto luto que é a escola pública de qualidade.
                   Quando iniciei a nossa conversa com alguns trechos de Rubem Alves, foi justamente pra lembrar que a escola que queremos não é aquela em que os nossos alunos se sintam ‘presos’, ‘engaiolados’, e sim, livres, conscientes e que alcancem vôos altos na nossa sociedade. Pude observar que ao longo dos anos a escola pública perdeu seu valor, quando se diz que ela foi feita pros ‘pobres’ e não para todos. E pergunto: Quem são esses pobres? Não seria a pobreza maior negar algo de qualidade a todos aqueles que fazem e constroem esse país?  

Creio que seja necessário muitos repensares sobre a escola que temos e a  escola que queremos;  e que ainda vai muito longe daquilo que sonhamos de fato.

Que acordemos enquanto ainda é tempo!

Que possamos reinventar a Escola Pública!







Publicado por Adriana Dias Cunha em 18/10/2010

A VIDA E A ESCOLA

A VIDA E A ESCOLA
(Uma reflexão)



 Ricardo Machado

                        Pus-me a refletir sobre a escola. Para mim, sujeito masculino, ocidental, latino-americano, que nasci em fins do século XX, a palavra "escola" sempre esteve muito presente, e é deste lugar que ponho a olhar e fazer as reflexões. Pensamentos que são construídos pelas minhas experiências individuais, e experiências de outros, que me contaram e que agora também fazem parte de mim. Estes outros, é justo ressaltar, são diferentes de mim, com uma outra história e desejos, porém não tão diferentes, pois ainda não fui capaz de conhecer valores que consigam por em questão o solo que pisamos.

                      E para nós, seres ocidentais com forte influência na formação histórica européia, achamos que a escola é algo importante. Achamos que ela é peça fundamental para a formação de conhecimentos e valores que norteiam nossa civilização, ou seja, através dos conteúdos programados abriremos as portas do conhecimento universal. 

                      Não é de hoje que os homens ensinam para as futuras gerações o que lhes é importante. O que vai variar é justamente o que lhes é importante, e por isso como fazer com que as gerações vindouras aprendam. Por isso, dificilmente entenderia a resposta dos homens que habitavam as Américas antes dos europeus se perguntássemos: qual é a importância da escola para aquele povo? É provável que as artes da pesca, da caça, do ócio e da liberdade não eram transmitidas em quatro paredes, com carteiras alinhadas e quadro negro. Mas não é disto que quero falar, pois estes homens já foram vencidos, estes homens apenas sobrevivem em uma cultura material e simbólica que não os pertence, que não os dá sentido.

                      A escola que temos hoje, é fruto (pelo menos uma boa parte) das idéias de homens de um outro lugar: homens que venceram, e que hoje me condicionam a falar somente a partir dos seus olhos. Foi a racionalidade do período da modernidade que sistematizou os saberes e estabeleceu as verdades científicas. Foi neste período que história virou história, que a sociologia virou sociologia, as humanidades viraram ciências. Foi quando os homens puderam ser objeto de ciência, e que através do empírico e racional que levariam ao conhecimento das verdades universais. E para que se universalize foi necessário a criação do espaço escolar, o lugar onde corpos dóceis observariam inquestionavelmente os saberes. Mas como transformar estas coisas em coisas importantes? Basta dizer para as pessoas que isto é importante e sem isto não haverá possibilidade de ascensão social. Foi preciso dizer que a passagem de dominado para dominador se dará somente através do funil escolar, com suas verdades, sua moral, sua disciplina. Pois, para estes homens racionais da modernidade, a palavra mais importante é o "progresso", e assim como o mundo teria evoluído linearmente, as cabeças pensantes também: nasceriam vazios como um coco e cotidianamente seriam preenchidos com as verdades universais. E se acaso alguns destes não forem capazes de se adaptar, ou não quiserem se adaptar, se tornarão "o burro", "aquele que não serve", "o fracassado", "o preguiçoso", "o idiota". 

                   Cria-se então, este sujeito um tanto incomum: o professor. Que com firmeza na voz e no olhar, com sua segurança no andar, seria capaz de preencher de conteúdo aqueles sujeitos que sedentos de conhecimentos se apresentam como páginas de um livro em branco. Este semi-deus, chamado professor, teria a responsabilidade de escrever e preencher este livro.
Na escola apesar da hierarquia ser reforçada a todos os instantes, através dos autoritarismos do professor; para os alunos a escola seria sinônimo de igualdade. Igualdade sentida nas carteiras alinhadas, na uniformização do uniforme, na uniformização do pensamento. Uma igualdade tão gélida e triste, que toma a proporção da frieza dos altos muros cinza que cercam a escola.

                 A escola tem sido um dos lugares que não levam em consideração as diferenças culturais, de gênero, de classe... dos indivíduos. Coloca-se na possibilidade de promover a igualdade, no entanto acaba perpetuando a naturalização da exclusão, uma vez que não reconhece as desigualdades sociais que a sociedade contemporânea nos impõe. Assim, os sujeitos que já são marginalizados em outras estruturas sociais, influenciados pelo discurso de que a escola é sinônimo de ascensão social, procuram na escola um lugar de consolo para suas frustrações. Mas o que encontram é outra frustração. Encontram uma instituição frustrada por não conseguir reavaliar seu modelo. Encontram profissionais frustrados que a cada dia vendem suas utopias a preço de banana. Encontram uma pedagogia frustrada, pois se baseia em um mundo autoritário, alienante e disciplinador.

               E depois de tudo isto o que nos resta? Em momento algum quero que entendam  que     sou contra a escola. Pelo contrário, como já havia afirmado, sou um ocidental, latino-americano, nascido no final do século XX, e isto me impede de pensar em outro lugar que não seja a escola. Porém, sem dúvida alguma, isto não me impede de querer e lutar por uma escola que nos ajude a voar, que seja um espaço de sociabilidade fundado em valores como a solidariedade e a coletividade. Vou lutar para que as escolas não sejam gaiolas. Porque as gaiolas nos tornam apáticos e estéreis.



RICARDO MACHADO:
Acadêmico de História na Universidade Regional de Blumenau. Foi pesquisador do Laboratório de História Oral da FURB e presidente do Diretório Central dos Estudantes nesta mesma Universidade.


Fonte:   http://www.viegasdacosta.hpg.ig.com.br/ricardovidaeescola.htm

Gramsci e a escola unitária

 


                                                                                                    * Especial para   
                                                                                                   Gramsci e o Brasil*

                                                                                     
                                                                                     Marco Aurélio Nogueira   
             
Não há, seguramente, nos dias de hoje, questão mais estratégica e, por isso mesmo, mais polêmica e apaixonante, do que a da escola. Ela nos angustia e nos confunde, tanto porque somos bombardeados a todo momento pela idéia de que a educação é a senha de acesso ao futuro, quanto porque estamos muito insatisfeitos com a escola que temos. Ficamos incomodados porque queremos nos convencer da importância decisiva da escola e porque nos desiludimos com a escola realmente existente.
Quem já não se pôs a questão, sobretudo entre as famílias que se deparam com a necessidade de escolher a próxima escola de seus filhos? Quem, entre os educadores, já não se viu apostando nas possibilidades de uma renovação nos métodos de gestão escolar que compensasse as falhas do sistema educacional e “salvasse” a escola, recuperando-a plenamente aos olhos da comunidade? Quem já não se surpreendeu divagando sobre a necessária reposição da escola, nestes tempos que parecem naturalizar a crise da escola realmente existente em nome de uma ideologia que hipervaloriza a educação escolar como caminho mais adequado para o êxito profissional?
É um paradoxo: tudo está difícil no campo da educação, mas é impossível visualizar saídas que não passem pela escola. Valorizamos a escola que não temos - a escola em si - por convicção cultural, mas também porque a sociedade informatizada que se anuncia como “sociedade inteligente” sancionou a educação como ferramenta do sucesso e plataforma para uma efetiva reforma cultural. Criticamos a escola que temos porque ela não parece reunir condições de enfrentar esta época de transição, paradoxos e incertezas. Porque é o resultado vivo de muitas políticas casuísticas e de uma certa perda da capacidade coletiva de se empenhar ativamente pela escola. Duvidamos da escola que temos porque ela é hoje um campo de confusões e expectativas mal-dimensionadas, seja por parte de professores e alunos, seja por parte dos pais, que esperam tudo dela, até mesmo uma oferta de “educação” que deveria decorrer da própria dinâmica familiar.
Podemos criticar a escola realmente existente, mas temos excelentes motivos para dedicar a ela o melhor de nossos esforços e convertê-la numa causa ampla, generosa, democrática. Se soubermos partir da escola que está aí, em vez de descartá-la como verdadeiro espelho embaçado do projeto hegemônico das classes dominantes, se soubermos escapar definitivamente da idéia de que uma boa escola - uma escola de qualidade, democrática, de massas, universal, pública e gratuita, ou seja, uma escola republicana - só virá depois que tivermos uma boa sociedade, certamente teremos como reformar a escola.
É este, com boa dose de liberdade, o ponto de partida do instigante trabalho que o leitor lerá a seguir. Tendo a escola e os problemas educacionais inseridos em sua corrente sanguínea, incorporados como razão de ser intelectual e causa política, a professora Rosemary Dore Soares nos convida a percorrer os complexos caminhos da história intelectual da escola sob o capitalismo realizado. Leva-nos a acompanhar a discussão que filósofos, pensadores e pedagogos de diferentes nacionalidades e formações travaram sobre a escola, sobre seus modelos organizacionais, seus métodos de ensino, seu sentido e sua perspectiva. Oferece-nos um panorama abrangente e elucidativo, com o qual aprendemos e crescemos.
Na base deste bem-sucedido esforço, pulsa um diálogo: com Antonio Gramsci, talvez o marxista “clássico” que mais longe levou a reflexão sobre a escola. Não se trata, pois, de mera preferência subjetiva. Rosemary Soares parte de Gramsci porque sabe que, ali, nas milhares de páginas nem sempre linearmente dispostas dos Cadernos do cárcere, escritos entre 1929 e 1935, repousa uma vigorosa reflexão sobre a escola como tal e vis-à-vis o Estado, a política, a sociedade civil (1).

Gramsci não é um pensador qualquer, destes que podem ser abordados com facilidade. Não é à toa que a literatura sobre ele é caudalosa e abriga as mais diferentes interpretações. Gramsci não viveu fora da disputa e seu legado jamais de dissociou da disputa, da controvérsia. Trata-se de um autor eminentemente polêmico, até mesmo porque sua obra tem dimensões “enciclopédicas” e está toda aberta para a política. Como se não bastasse, Gramsci se popularizou muito e passou a ser usado de modo muitas vezes indiscriminado, leviano, simplificado. Ciente do fato, Rosemary Soares reconstrói a concepção gramsciana como um todo, tanto para estabelecer para si mesmo uma plataforma de apoio, quanto para dar a seus leitores um parâmetro para a discussão. O resultado não poderia ser melhor.

Rosemary Soares procede a uma vigorosa leitura de Gramsci. Deseja “acompanhar seu percurso teórico”, para explorar ao máximo sua originalidade e reter sua contribuição específica, centrada num esforço descomunal para estabelecer novos critérios com que pensar a realidade econômica, política e social da sua época. Gramsci queria entender melhor uma realidade que ele via como mais forte do que os esquemas teóricos que então prevaleciam. Só assim imaginava ser possível formular uma estratégia viável de luta para os trabalhadores. Gramsci fará isso repondo e inovando a dialética que vinha de Hegel e Marx. Sua obra será toda construída à base de nexos, articulações, unidades e distinções, processos e contradições, envolvendo os diversos aspectos da estrutura e da superestrutura, da economia e da política, do Estado e da sociedade civil. Gramsci descobrirá que o vir-a-ser do capitalismo produzira modificações importantes tanto na economia e na sociedade quanto na esfera do Estado. Refletindo o que se passava na estrutura social, o Estado se “socializara” e não poderia mais ser compreendido apenas como expressão da sociedade política: em seu interior, instalara-se um espaço específico, a sociedade civil, lugar dos interesses organizados e das lutas pela hegemonia. O Estado, em suma, alargara-se, passando a ceder sempre mais espaço aos movimentos e às ações “civis”, societais. Exatamente por isso, o campo das subjetividades, das idéias e da cultura - portanto, dos sujeitos, dos intelectuais, da escola, da organização da cultura - tornara-se absolutamente decisivo.
Seguindo as sugestões de Gramsci, o eixo em torno do qual Rosemary Dore Soares organiza sua exposição é fornecido pela idéia da “escola unitária”, proposta educacional construída tendo como base o processo vivo que levou, num dos movimentos empreendidos pela burguesia para reforçar e proteger sua hegemonia, à constituição da “escola nova”, a “escola ativa”, na qual haveria maior aproximação professor-aluno e os problemas da vida “prática” (mundo do trabalho) passariam a ser firmemente considerados. A “escola unitária” de Gramsci seria o desfecho de todo o processo de crise da velha escola - crise esta determinada pela agonia da sociedade e da cultura tradicionais, pré-industriais, com o que a escola se separou da vida, tornando-se “desinteressada” demais ou “especializada” demais. A crise da escola, para Gramsci, era uma “progressiva degenerescência”: as escolas de tipo profissional, isto é, preocupadas em satisfazer interesses práticos imediatos, passavam a predominar sobre a escola formativa, imediatamente desinteressada, invertendo a estrutura que prevalecia anteriormente. O novo tipo de escola, porém, ainda que tivesse muitos elementos progressistas, não era democrático e acabava por se realizar como um fator adicional de perpetuação e cristalização das diferenças sociais. Para destruir tal armadilha, seria necessário, nas palavras de Gramsci, “não multiplicar e hierarquizar os tipos de escola profissional, mas criar um tipo único de escola preparatória (primária-média) que conduza o jovem até os umbrais da escolha profissional, formando-o, durante este meio tempo, como pessoa capaz de pensar, de estudar, de dirigir ou de controlar quem dirige” (p. 49). Em outros termos, seria necessário fundar a “escola unitária”, a “escola única inicial de cultura geral, humanista, formativa, que equilibre de modo justo o desenvolvimento da capacidade trabalhar manualmente (tecnicamente, industrialmente) e o desenvolvimento das capacidades de trabalho intelectual” (p. 33).

Como observa com precisão Rosemary Soares, a construção da “escola unitária” não está condicionada à derrocada do Estado burguês, pois se trata de um processo de superação da escola existente: ele decorre, acima de tudo, do desenvolvimento dos elementos racionais da “escola nova” e da luta contra seus aspectos conservadores, elitistas, cristalizadores das divisões sociais, num processo em que a construção do “novo” se afirma no bojo mesmo da luta pela destruição do “velho”. É por isso que Gramsci afirmava que “o advento da escola unitária significa o início de novas relações entre trabalho intelectual e trabalho industrial não apenas na escola, mas em toda a vida social. O princípio unitário, por isso, irá se refletir em todos os organismos de cultura, transformando-os e emprestando-lhes um novo conteúdo” (p. 40). Em vez de se seguir ao advento de uma nova sociedade, a “escola unitária” torna-se ela mesma instrumento de edificação desta sociedade: um elemento a mais para possibilitar às classes subalternas a aquisição de recursos decisivos para romper com a subalternidade e assumir um maior protagonismo social.
É com esta bagagem que Rosemary Soares põe-se a campo para polemizar com as concepções que, retomando alguns dos temas caros, por exemplo, a Ivan Illich ou à perspectiva reprodutivista, “terminam por descartar a escola que temos no presente, erguida historicamente em meios aos embates sociais, políticos e ideológicos, verdadeiro patrimônio institucional, cultural e político conquistado pelas massas”. Tais concepções, “em lugar de quererem transformar essa escola que aí está, partindo dela mesma, projetam num passado distante ou num futuro socialista o modelo ideal da escola popular”. Ficam sem muitas condições de projetar uma efetiva reforma da escola.
A apaixonada defesa que Rosemary Soares faz da escola existente - “a única que conhecemos, resultante das amplas lutas dos movimentos sociais” - é, no fundo, a defesa da idéia de que temos uma base para reformar a escola. Sugere-nos isso que não precisamos de projetos mirabolantes dedicados a fundar uma escola toda nova, como se a que existe fosse pura inutilidade e não pudesse ser transformada. Sugere-nos, também, que não basta simplesmente querer outra escola, como se ela estivesse ao alcance da mão, independentemente de condições concretas. Sugere-nos, enfim, que a reforma da escola não é algo simples, passível de ser equacionado tecnocraticamente, à base de ajustes orçamentários, reformulações técnicas ou mudanças administrativas, como se a intervenção num terreno tão vital e tão colado à realidade viva das massas, pudesse ser experimentada sem política ou com uma política distante da democracia.

No Brasil, antes de tudo, precisamos reformar a escola e o sistema educacional, tanto quanto precisamos de novas políticas para a educação. Estamos convencidos de que devemos dar mais espaço na escola para professores e alunos, estimular o controle democrático da escola pela comunidade, melhorar a gestão escolar, tornar a escola - e aqui particularmente a escola pública - um valor nacional, brigar para modificar o peso relativo da política educacional diante das demais políticas governamentais.

Mas ainda não estabelecemos com rigor o que entendemos por reforma da escola. Aceitamos com facilidade a idéia de reforma hoje em circulação: providências dedicadas a reduzir custos e ajustar estruturas, não a modificar sentidos e significados. Tendemos a achar que nas escolas faltam “administradores”, gerentes competentes para manusear cifras, modelos e tecnologias destinadas a “otimizar” o ensino, as funções docentes, os currículos. Os próprios pais querem que a escola “administre” seus filhos, dando a eles disciplina e recursos para a ascensão profissional.

Chegamos a admitir que talvez o mercado possua mesmo o que a ideologia da época aprega: racionalidade, eficiência, agilidade, até mesmo “justiça distributiva”. Como a própria educação tornou-se ela também uma mercadoria, tendemos a achar que a escola deve ser administrada com métodos empresariais. Quantos não se deixam atrair, por exemplo, pelas escolas que têm bom marketing, ocupam lugar na mídia e “garantem” formação competitiva?
Porque somos filhos do tempo, achamos que não podemos esperar muito mais coisas do Estado, que a hora é não só do mercado, mas também das organizações não-governamentais e do terceiro setor. Parecemos sem forças para manter viva a velha utopia da escola republicana, da escola laica, pluralista, democrática, da escola de todos.
Se quisermos, porém, construir uma escola para o futuro, devemos ir além da cultura da época. É inegável que temos problemas de gestão, mas eles precisam ser pensados e enfrentados em sua justa dimensão. Os grandes problemas da escola e da educação são de outro tipo e de outra envergadura. Dependem, para ser solucionados, de pessoas que mobilizem recursos humanos, políticos, sociais e ideológicos para uma transformação substantiva.

Dependem de livros como este, que o leitor certamente apreciará. Nele, a escola ocupa o lugar de destaque que merece ter. Tratada com generosidade, paixão e rigor conceitual, a escola que Rosemary Dore Soares nos apresenta é um projeto todo aberto para o futuro, vinculado à democracia e em permanente diálogo com as grandes maiorias. Justamente por isso, está intimamente associada à proliferação daquele novo tipo de intelectual cujo modo de ser Gramsci dizia não mais consistir na “eloqüência”, mas numa “inserção ativa na vida prática” - um construtor, um organizador, um persuasor permanente, que, da técnica-trabalho, chega à técnica-ciência e à concepção humanista histórica, sem a qual permanece “especialista” e não se torna “dirigente”, isto é, especialista mais político.

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Marco Aurélio Nogueira é professor de Teoria Política da Unesp e pesquisador da Fundap. Originalmente publicado como prefácio ao livro de Rosemary Dore Soares, Gramsci, o Estado e a escola (Ijuí, Ed. Unijuí, 2000, 488 p.), este texto está aqui reproduzido mediante expressa autorização do autor.
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Nota
(1) Depois de terem sido divulgados de modo fragmentado e incompleto dos anos 60 em diante, os Cadernos do Cárcere de Gramsci estão hoje em curso de publicação no Brasil, em edição de Carlos Nelson Coutinho (com a colaboração de Luiz Sérgio Henriques e Marco Aurélio Nogueira), preparada para a Editora Civilização Brasileira. Os textos em que Gramsci analisa de modo mais concentrado os problemas da escola integram o volume 2: “Os intelectuais. O princípio educativo. Jornalismo” (Cadernos do cárcere, vol. 2, tradução de Carlos Nelson Coutinho, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000).

sábado, 16 de outubro de 2010

Exame para carreira docente será aplicado a partir de 2011



Portaria publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 24, institui o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. O exame, que será realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), avaliará conhecimentos, competências e habilidades de profissionais que tenham concluído ou estejam concluindo cursos de formação inicial para a docência e que desejam ingressar na carreira do magistério. A primeira edição do exame, que é anual, se realizará em 2011.

O exame deverá subsidiar a contratação de docentes para a educação básica pelos governos estaduais e municipais. As secretarias de educação interessadas definirão a forma de utilização dos resultados do exame para fins de contratação de docentes.

A participação no exame é de caráter voluntário, mediante inscrição, e conferirá ao candidato um boletim de resultados, cujos dados somente poderão ser utilizados mediante autorização expressa do candidato.

O exame oferecerá, ainda, diagnóstico dos conhecimentos, competências e habilidades dos futuros professores para subsidiar as políticas públicas de formação continuada, e também para construir um indicador qualitativo que possa ser incorporado à avaliação de políticas públicas de formação inicial de docentes.

Assessoria de Imprensa do Inep

Leia mais sobre a Portaria.
Palavras-chave: Formação do professor, Exame de ingresso na carreira, Inep

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15475

 

As bolas de papel na cabeça,
os inúmeros diários para se corrigir,
as críticas, as noites mal dormidas...
Tudo isso não foi o suficiente
para te fazer desistir do teu maior sonho:
Tornar possíveis os sonhos do mundo.
Que bom que esta tua vocação
tem despertado a vocação de muitos.
Parece injusto desejar-te um feliz dia dos professores,
quando em seu dia-a-dia
tantas dificuldades acontecem.
A rotina é dura, mas você ainda persiste.
Teu mundo é alegre, pois você
consegue olhar os olhos
de todos os outros e fazê-los felizes também.
Você é feliz, pois na tua matemática de vida,
dividir é sempre a melhor solução.
Você é grande e nobre, pois o seu ofício árduo lapida
o teu coração a cada dia,
dando-te tanto prazer em ensinar.
Homenagens, frases poéticas,
certamente farão parte do seu dia a dia
e quero de forma especial, relembrar
a pessoa maravilhosa que você é
e a importância daquilo do seu ofício.
É por isto que você merece esta homenagem
hoje e sempre, por aquilo que você é
e por aquilo que você faz.
Parabéns!





Obrigado por fazerem do aprendizado não um trabalho,
mas um contentamento.
Por fazerem com que as crianças se sintam pessoas de valor,
por ajudarem -nas a descobrir o que fazer de melhor,
e, assim fazê-las cada vez melhor.
Obrigado por afastarem o medo das coisas que pudessem não compreender;
levando-0s, por fim, a compreendê-las.
Por resolverem o que achavam complicado...
Obrigado por convencê-los de que são melhores do que suspeitavam.
FELIZ DIA DOS PROFESSORES










Verdades da Profissão de Professor

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.

A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos.

Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”.
Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade,
sem ela, tampouco, a sociedade muda.


(Paulo Freire).


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

AO MESTRE COM CARINHO

Como melhorar o ensino no Brasil


Eleição rima com educação. A cada quatro anos todos os candidatos a cargos eletivos se arvoram a defensores do sistema educacional, de edifícios bem construídos, de horário integral para todos, de qualificação dos professores, de livros de qualidade etc. e tal. O otimista diria que já é um avanço. Os fatos vêm provando que não. Está fora de dúvida que universalização e qualidade não têm caminhado juntas no Brasil. Quando a escola pública era quase só da classe média, qualificava alunos para as melhores universidades brasileiras. Pelo então Colégio do Estado de Sorocaba, interior de São Paulo, onde estudei, passaram garotos e meninas que são, atualmente, intelectuais, juízes, promotores, educadores, empresários, executivos, médicos, engenheiros, todos muito bem colocados e reconhecidos pela educação recebida. Alguns de nossos professores, como João Tortello, de português, e Ruy Nunes, de filosofia, eram mestres excepcionais, dedicados à pesquisa e à atividade docente. Nas condições de trabalho, salário e reconhecimento social de hoje, são poucos os professores que dão conta da difícil tarefa de qualificar adequadamente os jovens. E mitos repetidos por políticos não ajudam a encaminhar a questão. Vejamos alguns deles:
Mito: os livros estão melhores. Com livros melhores a educação fica cada vez melhor. Verdade: quando o programa da universalização do livro didático começou, bons educadores preveniram ministros da educação sobre um perigo: bons mestres conseguem dar boas aulas com um livro ruim, mas professores inadequadamente formados não conseguem dar boas aulas sequer com um bom livro. O resultado é que muitos prefeitos não utilizam nenhum livro didático, recebido gratuitamente. Eles compram (gastando fortunas) para suas cidades sistemas de ensino, material com aulas prontas, módulos iguais para todos (como se não houvesse especificidade entre crianças de diferentes regiões do país), respostas únicas, exercícios determinados, tudo ao contrário da orientação (correta) que o MEC tem na avaliação dos seus livros. Isso quer dizer que muitos municípios não acham que seus professores deem conta de usar um livro didático de qualidade, o que é assustador.
Mito: os alunos são mais informados, usam a internet, assistem à TV, recebem muito mais estímulos. Verdade: o hábito de “pesquisar” na internet não teria nada de errado se o aluno tivesse condições de discernir fontes confiáveis de fontes não confiáveis. Frequentemente pega um rabo de notícia de TV e apresenta ao professor como verdade sacramentada, e sua investigação pela internet restringe-se a achar seu tema, selecionar uma passagem, teclar Ctrl + C para copiar e colar no seu “trabalho” com as teclas Ctrl + V. Comumente, nem se dá ao trabalho de ler o que copiou. Muito menos acha necessário fazer uma crítica das fontes utilizadas (“peguei na internet”, é o que diz). Nem por sonho se poderia esperar que diferentes “fontes” utilizadas no trabalho tivessem um mínimo de coesão, quanto mais de coerência. O aluno talvez tenha mais informação do que há trinta anos, mas não sabe como transformar isso em conhecimento. Só um professor bem preparado consegue ensinar ao aluno como dar esse passo.
Mito: o país é muito grande e desigual. Não há como dar um grande salto qualitativo. Verdade: nenhum país conseguiu dar um grande passo sem investir pesada e criativamente na educação. Todas as importantes revoluções educacionais ocorridas no planeta demandaram imaginação criadora, competência administrativa e, principalmente, vontade política. Nações de diferentes dimensões, modelos econômicos, regimes políticos e tradição cultural como Japão, Alemanha, Rússia, Coreia, Cuba, são exemplos que merecem ser estudados por aqueles que desejam estabelecer nosso sistema educacional como um espaço de oportunidades, não como reprodutor de desigualdades. Há que se fazer um mutirão educacional que estimule os professores a se qualificarem. Todas as universidades públicas (assim como as particulares que recebem verbas governamentais de qualquer espécie) que possuem cursos de licenciatura precisam ser incorporadas no processo. Professores e alunos de pós-graduação podem ser estimulados a dar uma parte do seu tempo em aulas para os professores do ensino fundamental e médio do Brasil todo, a partir de uma orientação segura (e apolítica, é claro) que sairia dos órgãos competentes e de uma discussão ampla (mas rápida) feita com os educadores interessados.
Isso é possível? Mais que isso é necessário. É responsabilidade dos dirigentes e políticos impedir que o Brasil breque seu desenvolvimento por falta de gente qualificada, o que pode ocorrer se não levarmos a educação a sério.
 
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* Historiador, professor titular aposentado da Unicamp, diretor da Editora Contexto (wwwa.jaimepinsky.com.br)
 

Fonte: Correio Braziliense online, 19/09/2010

O mundo precisa de professores mais bem qualificados




  Os professores são a chave para qualquer reforma
educacional. Mesmo assim, sua situação está cada
vez mais problemática, tanto no Hemisfério Norte
quanto no Sul.


 
São hoje necessários 15 a 35 milhões de professores para atingir os Objetivos de Educação para Todos (EFA) até 2015. As razões que explicam a escassez de professores são inúmeras, variando entre a falta de atrativos para uma profissão mal remunerada, condições ruins de trabalho e até mesmo a pandemia devastadora da AIDS. Sendo os professores a base do sistema educacional, eles são o fator determinante para a obtenção de um dos seis objetivos estabelecidos no “Fórum de Dacar sobre Educação para Todos”: promover uma educação de qualidade.  O papel essencial dos professores para o desenvolvimento cultural, econômico e social das populações confere a eles uma enorme responsabilidade, além de sua importância em ajudar a população a se preparar para a vida profissional.
A Conferência Geral da UNESCO de 1966 adotou a Recomendação sobre a Condição do Pessoal Docente, em colaboração com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Apesar da diversidade da legislação mundial, a Recomendação propõe uma série de padronizações aplicáveis mundialmente. Mesmo que o texto de 1966 somente se refira a professores da educação básica, a Recomendação de 1997 inclui os professores da educação superior. Todos os assuntos ligados à profissão são examinados, como a preparação do professor (treinamento, recrutamento), oportunidades de carreira (promoção, segurança no trabalho), direitos e deveres (liberdade individual), salários, saúde e previdência. O Dia Mundial do Professor, dia 5 de outubro, foi escolhido para coincidir com a data de adoção da Recomendação, em 1966. No entanto, os 146 artigos nela compreendidos não são mais suficientes para enfrentar as duras realidades geopolíticas.
No Hemisfério Norte, assim como no Sul, a falta de professores está alcançando níveis alarmantes. Não somente em termos quantitativos, estando a necessidade de professores em torno de 30 milhões, mas também em termos de falta de qualificação. No esforço de cortar despesas públicas, alguns países estão solicitando professores-voluntários que são mal treinados e igualmente mal pagos. Além disso, em muitos países, os salários dos professores são muito baixos para atraírem profissionais, sobretudo nas áreas rurais.  Na África, por exemplo, de acordo com o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos de 2005, o salário de professores em 2000 foi menor do que em 1970. Em algumas escolas, o índice de matrícula tem crescido muito mais rapidamente que o número de professores, de modo que a proporção estudante/professor pode ser tão alto quanto 60 para 1 (um professor para 60 estudantes). O papel da UNESCO, frente a esta situação deteriorante, é de aconselhar os países sobre como oferecer treinamento de boa qualidade aos educadores, sobretudo nos níveis médio e superior; ou de recomendar o respeito pelos padrões internacionais concernentes aos direitos e deveres pela profissão.
A prioridade número um do Setor de Formação de Professores da UNESCO Internacional é a “Iniciativa para a Formação de Professores na África Setentrional”. Este projeto possui atividades em 46 países participantes até 2015. O objetivo é adaptar políticas relativas a professores que coincidam com o desenvolvimento de cada país. Por exemplo, o Instituto Internacional da UNESCO para Construção de Capacidades na África (IICBA), uma Rede de Treinamento para Professores, permite os institutos de treinamento a se familiarizarem com os últimos desenvolvimentos na área, particularmente no desenvolvimento de bibliotecas eletrônicas. O Escritório da UNESCO em Bangkok administra um portal dedicado à aplicação de tecnologias de informação e comunicação para a educação permanente de professores. Além disso, enfatizando estas ações concretas, o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos de 2005, publicado pela UNESCO, faz várias recomendações como: priorizar o aprimoramento da qualidade da formação e recrutamento e manutenção do emprego de um maior número  de professores. A Organização também está comprometida com a formação de professores no uso de tecnologias e educação a distância. 

* Este informativo não é um Documento Oficial da UNESCO. Ele visa prover ao público informações sobre o tema «Professores» desenvolvido durante a quinta semana de comemoração dos 60 anos da UNESCO (de 03/10 a 08/10 de 2005).
 
Fonte: Unesco.org.br/educacao.

terça-feira, 12 de outubro de 2010




                          "Todos têm uma criança alegre dentro de si, 
                                mas poucos a deixam viver."
                                                                          Augusto Cury

                  

QUANDO SE É CRIANÇA...



Quando se é criança tudo parece mágica! Como pode acontecer de se misturar água e sabão e isso se transformar em bolhas que flutuam pelo ar? As dúvidas mais inocentes fazem com que os pequenos tornem-se cada vez mais curiosos e, de curiosidade em curiosidade vão aprendendo mais e mais, só que um dia por tanto que já aprenderam, deixam para trás aquelas doces lembranças das primeiras experiências, da surpresa, do encantamento das descobertas.
Não podemos perder contato com essas alegrias tão verdadeiras, devemos sim entender que isso é viver, que poder ter lembranças como essas significa a maior das riquezas, de que nossa infância foi verdadeiramente infância, de que elas fazem parte do que somos hoje e por isso sempre valerá a pena relembrá-las para que o encanto da vida seja constante.

MENSAGEM DIA DAS CRIANÇAS

Mensagem - Foto

"Grande Homem é aquele que não perdeu o Coração de Criança."

Todo mundo carrega dentro de si uma criança.
E todo mundo aprende a reprimi-la para ser adulto.
Crescemos e "temos" que ser sérios.

Quantas vezes você já não ouviu alguém dizer: "deixe de criancice!"?
E desde quando precisamos deixar de ser crianças?

Ria de você mesmo, seja "ridículo",
brinque na chuva, de fazer castelos na areia, de fazer castelos no ar...
sonhe, faça bagunça no meio da rua, cante na hora que der vontade,
converse com você mesmo como se tivesse conversando com um amiguinho,
assista desenho animado e veja a sua vida
como se ela fosse um desenho animado,
brinque com uma criança... como uma criança...

fique feliz simplesmente por ficar,
sorria e ria sem motivo,
ria de você, dos seus dramas, do ridículo das situações...

E acredite na pureza do ser humano...
na pureza de criança que talvez esteja escondida,
mas que existe em cada um de nós.

Para alguns você vai parecer louco, bobo ou infantil...
mostre a língua para esses "alguns" e diga,
como uma criança: "sou bobo mas sou feliz!"

Esses "alguns" com certeza têm uma criança maluquinha,
doida pra fazer bagunça também.

A vida já é muito complicada para vivermos sérios e carrancudos.

E isso tudo não é deixar de viver com seriedade...
é viver com a leveza de uma criança
e obrigações de adulto.

Fica muito mais fácil viver assim.

Então, coloque uma panela na cabeça
e solte o menino(a) maluquinho(a) que existe dentro de você!
Só não vale subir no muro e achar que sabe voar, né?

Feliz Dia das Crianças!
Feliz Dia das
Crianças

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Sociedade, redenção e transformação em educação


Recebi a seguinte carta, que respondi em conformidade com o que se segue abaixo.

Caro Professor

Meu nome é ……. e eu sou mestranda em Educação pela Universidade……. Utilizei-me de seu livro sobre Filosofia da Educação como suporte de um capítulo sobre a filosofia e a ideologia da e na educação. A sistematização, que fiz, da função social da escola — de como ela é vista pela sociedade (redenção, reprodução e transformação) — foi criticada pelo meu orientador, que entendeu que o termo “redenção” seria, de certa forma, um termo jocoso. A minha questão é: redenção e transformação não acabam se encontrando com um mesmo sentido? O senhor vê na sociedade (tirando os artistas e os jogadores de futebol), alguma chance de emancipação social sem a educação?

Obrigada, espero que me tenha feito entender…


As categorias sociológicas redenção e transformação, como meta final, aparentemente, dirigem-se para a mesma direção — a emancipação do ser humano. Porém, cada uma delas entende a emancipação de formas diversas. A visão redentora acredita na possibilidade de “salvar a humanidade” de suas mazelas, de suas fragilidades, de seus “pecados”, aqui, a educação é uma entidade externa à vida social. Já a visão transformadora vê a emancipação do ser humano como um caminhar para a sociedade igualitária, onde todos possam viver em condições de igualdade; aqui, a educação é uma das forças internas à trama das relações que constituem a vida social e histórica. Desse ponto de vista, essas cosmovisões são completamente diferentes, até mesmo opostas — uma coloca a educação como um fenômeno externo e soberano à vida social e a outra coloca a educação como um componente interno à vida social, sendo, ao mesmo tempo, determinado por ela e determinante da mesma. O fenômeno da educação é determinado pelas múltiplas determnações da realidade, contudo, no embate das forças presentes, ela também determina o movimento na medida de sua capacidade de interferir no processo. 

O termo redenção, no caso, expressa uma categoria sociológica, que explica uma cosmovisão educativa. Uso o termo categoria, em conformidade com o uso feito por Marx, ou seja, como uma explicação da realidade. Aliás, esse também foi o uso feito por Dermeval Saviani no livro Escola e Democracia, Cortez Editora, e por José Carlos Libâneo, no livro Democratização da escola pública, Edições Loyola, quando abordam a educação tradicional como rendentora.. 

No caso, então,  o termo redentora expressa uma categoria sociológica salvacionista, ou seja, é a compreensão daqueles que, consciente ou inconscientemente, crêem que a educação tem o poder de administrar a vida social com todos os seus sucessos e insucessos (nesse sentido, “salvacionista”) e atuam como se a educação pudesse redimir a todos, possibilitando uma sociedade equilibrada e saudável. A expressão educação redentora é tomada no sentido de compreender que há um recurso que redime a todos. Essa é a crença que está como pano de fundo da pedagogia tradicional. Os educadores tradicionais acreditavam e  acreditam que a educação é a força que dá direção à vida social. Ela está acima da vida social.

Já a pedagogia transformadora tem como pano de fundo o entendimento de que não há uma força redentora (acima e fora da vida social), mas sim uma dinâmica de contradições sociais, que produz o movimento social. Marx nos lembra que o movimento social se faz pelas contradições de seus diversos e variados segmentos, assim como pelas contradições entre suas forças em ação. Ele tem a expectativa de que o ser humano, social e historicamente constituído, um dia, chegará ao equilíbrio, onde cada um “dará segundo sua capacidade e onde cada um receberá segundo sua necessidade”, ou seja, uma sociedade igualitária entre os seres humanos, onde todos podem viver de modo satisfatório, em pé de igualdade. Neste olhar político-pedagógico, não há uma redenção, mas sim um movimento das forças sociais em direção à emancipação do ser humano como individuo e como coletividade, como necessidade do ser humano. A educação é, então, uma das forças sociais em movimento, que se encontra dentro da sociedade (equivalente a todas as forças constitutivas da vida social), não acima dela, como se daria numa cosmovisão redentora.

Na visão “redentora”, a educação coloca-se acima da vida social e será ela a salvar (redimir) a sociedade de seus desequilíbrios, o que é um desejo que não se sustenta frente a uma análise consistente da vida social. Na cosmovisão redentora, há um redentor que salva (no caso a educação); na cosmovisão transformadora, o movimento social emancipatório se faz pelo embate das forças sócias atuantes. Daí que os defensores de uma visão transformadora assumem que a prática educativa deve ser realizada com o maior investimento possível, para, com tal força, no embate das relações sociais, se processe a mudança emancipatória do ser humano, individual e coletivo.

A cosmovisão transformadora exige dos sistemas de ensino, mas especialmente, dos educadores — de modo individual, mas especialmente de modo organizado — um engajamento no investimento por uma sociedade igualitária e a contribuição da educação será formar, da melhor e mais atual forma possível, as crianças, os adolescentes e os adultos, com os quais trabalha. Daí, então, a necessidade de um planejamento consistente e politicamente comprometido do ensino, o que implica numa execução e numa avaliação da aprendizagem comprometidas com os mesmos ideários.

Marx nos lembra que uma concepção não vai à prática sem múltiplas mediações e as mediações pedagógicas são: o planejamento consistente, sua execução consistente e uma prática avaliativa efetivamente avaliativa, ou seja, subsidiária (a serviço) dos resultados efetivamente desejados, diversa de uma prática examinativa, que é seletiva e discriminadora.

Ultrapassando a explicação dos termos que você me solicitou, pessoalmente, opto pela cosmovisão transformadora, pela qual a educação é uma força presente na trama constitutiva da vida social. A meu ver, devemos colocá-la a serviço do ser humano, individual e coletivo, na busca de sua emancipação, ou seja, na busca da igualdade de condições de vida para todos, por dentro da própria vida social e não por fora dela. Seres humanos educados constituem uma sociedade educada. Isso tem uma dupla via — quanto mais os seres humanos individuais se educam, temos uma sociedade mais educada e, quanto mais tivermos uma sociedade educada, mais teremos seres humanos individuais educados. Ocorre uma dialética entre esses fenômenos, um não vem antes do outro nem um é mais importante que outro. Ambos são importantes.

Salvador, 30 de junho de 201
Cipriano Luckesi

Fonte:
http://luckesi.blog.terra.com.br/2010/06/30/sociedade-redencao-e-transformacao-em-educacao/

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