segunda-feira, 26 de dezembro de 2011




SEMPRE SERÁ NATAL!


Natal é viver nascendo dia a dia, é começar sempre.
Nascer dia a dia é descobrir as coisas boas e belas do mundo.
É crer na bondade da vida.
É saber que nascemos para sermos felizes.
É fazer o possível e o impossível para ter amigos e ser amigo.
É procurar fazer amigos na própria casa, na escola, na rua.
É não desanimar com as dificuldades da vida.
É amar cada pessoa que conhecemos.
É amar a Deus.
Natal se comemora e se vive todos os dias.
É Natal quando nasce uma criancinha.
É Natal quando o operário constrói casas.
É Natal quando o professor ensina, o médico cura, o aluno estuda.
É Natal quando nossos pais trabalham pela vida, dia a dia .
É Natal quando pessoas se unem para louvar e agradecer a Deus numa só oração.
Hoje é Natal.
Amanhã será Natal. Sempre será Natal.
Porque sempre haverá vida, sempre haverá progresso.
Sempre haverá esforço para crescer.
Sempre haverá Fé.
Sempre haverá Esperança.
Sempre haverá Amor.
Sempre haverá possibilidade de caminhar buscando a verdade.

FELIZ NATAL !







quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

UFRRJ abre inscrições para programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais







A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) abrirá vagas para o programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS) para a turma de 2012 do Curso de Mestrado Acadêmico. As inscrições acontecem entre os dias 02 e 13 de janeiro.

O PPGCS tem como objetivo formar profissionais qualificados para as atividades de pesquisa e docência em Ciências Sociais, destinando-se a capacitar graduados para a pesquisa especializada e oferecer formação que permita a análise dos problemas sociais a partir dos referenciais teórico metodológicos dos três campos disciplinares das Ciências Sociais: Antropologia, Sociologia e Ciência Política. O estudo se dá a partir de abordagens interdisciplinares no tratamento de questões que, pela sua complexidade, não se esgotam em um único campo de saber.

Para mais informações e inscrições acesse o site http://r1.ufrrj.br/wp/ppgcs/, envie e-mail para selecaoppgcs@ufrrj.br ou vá até a Secretaria do PROPPG – UFRRJ no Campus Seropédica, sala 115, P1 na BR 465 Km 7, Seropédica, RJ - CEP.: 23890-000 - Tel./Fax: (21) 26814707.

Professores e servidores da Educação receberão bônus de R$ 500

Professores e servidores da Educação receberão bônus de R$ 500


Professores e servidores da Secretaria de Estado de Educação receberão um bônus de fim de ano, no valor de R$ 500. O total investido será de R$ 36 milhões. A quantia será depositada nesta sexta-feira, dia 23.

Segundo o secretário de Estado de Educação, Wilson Risolia, a melhoria dos gastos na Seeduc, para que mais investimentos fossem revertidos para a categoria, foi uma das ações prioritárias anunciadas no início de 2011 como parte do planejamento estratégico da Secretaria para os próximos anos.

Risolia lembrou, ainda, que a decisão pelo bônus foi uma forma de reconhecimento à categoria, que tem colaborado para que a Secretaria atinja as metas estabelecidas, como reduzir a desigualdade da rede de ensino.

Em levantamento feito pela Seeduc junto a professores e servidores, foi constatado que 86% concordam com o planejamento estratégico que vem sendo realizado.

“Essa dedicação e compromisso merecem ser reconhecidos”, disse Wilson Risolia.

O secretário destacou que a Seeduc vem cumprindo a missão de valorizar a carreira. Além deste bônus (outro no mesmo valor foi concedido no fim de 2010), a categoria este ano foi contemplada com auxílio-transporte; auxílio-qualificação; formação continuada para docentes, com bolsas de estudo de R$ 300; aumento do valor da GLP em 70%; mais de 12 mil enquadramentos em 2011 (o dobro do número de 2010); e mais de dois mil enquadramentos por formação referentes ao segundo semestre de 2011, que serão pagos nas primeiras semanas janeiro.

Na volta às aulas, em fevereiro de 2012, a categoria ganhará, também, a Escola Seeduc, voltada para cursos exclusivos para professores e servidores.

“Nossos docentes, e a Secretaria, merecem comemorar. Este ano, demos início à inclusão do currículo mínino na rede e às avaliações, que estão sendo copiadas por outros estados. Tivemos média de 77% de participação no Saerjinho. O que mais devemos dizer aos professores e servidores é: muito obrigado”, afirmou o secretário.

Fonte: 
http://www.rj.gov.br/web/seeduc/exibeconteudo?article-id=721492

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Conheça a avaliação das 20 metas do Plano Nacional da Educação




Em algumas delas, especialistas veem avanços. Em outras, criticam a falta de ousadia. Investimentos em educação é a mais polêmica

A opinião entre quem pensa e discute educação é unânime: o novo Plano Nacional de Educação, que traça as metas para o setor nos próximos dez anos, avançou em relação ao que está em vigor. Porém, ficou aquém do esperado. O motivo de maior descontentamento, sem dúvida, é com a previsão de investimentos na área. As entidades educacionais esperavam que a proposta de destinar 10% do PIB à área fosse mantida. Ou, pelo menos, que os 7% determinados no texto fossem programados para menos tempo: em quatro anos
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“O plano é um piso e representa o que foi possível de ser alcançado até agora, mas precisamos avançar no Congresso Nacional. Calculamos que, com base no custo-aluno qualidade, seria preciso destinar pelo menos 8% do PIB à educação”, afirma Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Ele explica que, dentro dos cálculos feitos para o mínimo de investimentos necessários por aluno para que as escolas ofereçam ensino de qualidade, 80% seriam destinados a pagamentos de profissionais da educação.
Por isso, nesse aspecto, Cara acredita que o Ministério da Educação acertou ao colocar a valorização dos docentes e profissionais das escolas como prioridade no plano. Porém, ele também ressalta que a colaboração efetiva entre municípios, Estados e União na divisão dos investimentos deveria estar mais clara. “As estratégias sobre como se dará o regime de colaboração estão frágeis. Era preciso apontar o que e como cada um tem de colaborar para que as metas sejam cumpridas”, destaca o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Carlos Sanches.
Cleyton Gontijo, professor do Departamento de Planejamento e Administração da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, acredita que o plano possui metas possíveis de serem atingidas. “O grande desafio, na minha avaliação, é cumprir a Emenda Constitucional 59, que tornou obrigatória a oferta de educação para estudantes de 4 a 17 anos até 2016. Mas me questiono se os recursos serão suficientes”, pondera. Gontijo afirma que o plano também precisava definir metas intermediárias para facilitar o acompanhamento delas.


Confira as 20 metas do novo PNE


Meta 1: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos.
O atendimento das crianças de 0 a 3 anos de idade voltou a ser meta do plano de 2011 a 2020. Desde o projeto antigo, a ideia era que 50% das crianças estivessem matriculadas em creches. A Conae queria que o prazo dessa inclusão fosse mais curto: até 2012. Até 2016, deveria haver a universalização do acesso. Para Haddad, mesmo repetida, essa é a meta mais ousada do pacote. A universalização das matrículas para as crianças de 4 aos 17 anos foi definida em 2009, pela Emenda Constitucional 59. “Para nós, o financiamento dessa inclusão não está claro e não conseguiremos cumpri-la sem dinheiro novo”, afirma Carlos Sanches.

Meta 2: Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda a população de 6 a 14 anos.
A partir deste ano, isso já deveria ter ocorrido. O objetivo foi quase cumprido, mas o ministro Fernando Haddad admite ainda há crianças fora da escola. “Há 2% dos estudantes brasileiros nessa faixa etária fora da escola. E eles já foram alfabetizados, nós sabemos disso. Precisamos trazê-los de volta, por isso a meta está aí”, afirmou. Para o presidente da Undime, a inclusão dessa meta foi “um cuidado positivo do MEC”.
Meta 3: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária.
Pela Emenda Constitucional 59, todos terão mesmo de ser incluídos. Mas o desafio de garantir a permanência desses alunos na escola é grande. Em 2009, a taxa de escolarização líquida nessa faixa etária foi de apenas 50,9%. Para tentar mantê-los estudando, o novo PNE aposta na diversificação curricular, investimento na formação de professores, em equipamentos e laboratórios e a criação de programas de correção de fluxo. Aumentar as matrículas do ensino médio integrado ao profissionalizante e colocar o Enem como seleção de vagas para o ensino superior também são estratégias propostas. "É uma demanda estudantil, inclusive", justifica o ministro.

Meta 4: Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino.
Sanches avalia que esse público foi bem representado no plano. A proposta prevê o repasse de recursos suplementares para atender esses estudantes, a implantação de salas de recursos multifuncionais para atender necessidades específicas desses alunos e fomentar ações que promovam a inclusão deles. “Um aluno não pode deixar de estudar porque tem uma deficiência. Temos de adaptar uma escola para ele”, destaca o ministro Haddad.

Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os oito anos.
Para isso, o plano define a estruturação do ensino fundamental de nove anos com um ciclo de alfabetização de três anos. Orientação do Conselho Nacional de Educação, a proposta é que os estudantes não sejam reprovados durante esse ciclo. Eles ganhariam mais tempo para aprender a ler e a escrever, mas nenhum poderia ser deixado para trás. O PNE também prevê a aplicação de exames específicos para avaliar a alfabetização dos alunos, o que já acontece com a Provinha Brasil, aplicada aos alunos do 2º ano do ensino fundamental.

Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.
Essa também não será uma meta simples de ser cumprida. Há 197 mil escolas de educação básica no País. Não há um dado preciso sobre quantas escolas funcionam em regime integral no País. Financiadas por recursos do MEC, são apenas 10 mil escolas, que atendem quase R$ 3 milhões de alunos. O ministro acredita que uma saída será buscar parcerias com entidades como o Sesc e Senai para garantir nessas entidades atividades no contraturno para os alunos.

Meta 7: Atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB:
IDEB
2011
2013
2015
2017
2019
2021
Anos iniciais do ensino fundamental
4,6
4,9
5,2
5,5
5,7
6,0
Anos finais do ensino fundamental
3,9
4,4
4,7
5,0
5,2
5,5
Ensino médio
3,7
3,9
4,3
4,7
5,0
5,2
Fonte: Ministério da Educação

As metas de qualidade não faziam parte do plano anterior. Por enquanto, o Brasil está cumprindo os objetivos previstos para cada etapa. O repasse de mais recursos para os municípios com pior rendimento e que tenham conselhos escolares ativos é bem visto pelas entidades ligadas ao setor. A proposta agora é incluir uma avaliação de ciências na Prova Brasil – exame de português e matemática feito por alunos da educação básica cujos resultados compõem o Ideb – e incorporar o Enem ao sistema de avaliação da educação básica. Não há prazos para isso e o ministro admite que o tema terá de ser discutido com representantes de governos estaduais e municipais, já que o Enem é não é feito por todos os alunos.

Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à redução da desigualdade educacional.

A proposta é aumentar a escolaridade dos trabalhadores brasileiros. Dados analisados pela Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que somente 37,9% das pessoas com idade entre 18 e 24 anos tinham 11 anos de estudo em 2009. E são poucos os que continuam frequentando a escola: apenas 5,4%. A formação profissional e técnica é considerada essencial para o cumprimento dessa meta.

Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional.
Esse é um dos desafios antigos, que já fazia parte do plano decenal anterior. O Brasil ainda possui 14,1 milhões de analfabetos com mais de 15 anos. Fazer com que os brasileiros adultos não-alfabetizados voltem à escola, para especialistas, é o grande empecilho para erradicar o analfabetismo. Haddad acredita que, primeiro, outros áreas – saúde e assistência social – precisarão se unir para encarar a tarefa. Além de oferecer algum tipo de benefício para que o adulto se escolarize, o ministro acredita que a falta de saúde visual impede muitos brasileiros de continuar estudando. Na opinião da Undime, as estratégias para erradicação do analfabetismo foram bem definidas.

Meta 10: Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Tornar a escola mais atraente e manter o aluno estudando até o fim é um desafio também para cumprir a meta 8, que trata da escolarização dos jovens adultos. O plano prevê a criação de uma ação nacional para reestruturação e aquisição de equipamentos para as escolas públicas que atuam com educação de jovens e adultos (o antigo supletivo).

Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta.

A proposta não atende exatamente o que propunha a Conae, que queria o número de vagas da educação profissional triplicado até 2015. O plano fala da duplicação durante a década. Haddad afirmou que as metas foram calculadas revendo o investimento de 7% do PIB nos próximos dez anos. Se os deputados decidirem ampliar as vagas na rede profissional, terão de mexer na previsão de recursos. O tema promete voltar aos debates no Congresso.

Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta.
A definição de metas específicas para que as universidades adotem medidas para aumentar a quantidade de formandos não haviam aparecido no plano anterior, que contemplava somente metas de maior acesso às vagas. A proposta é que as instituições públicas formem 90% de seus alunos (a evasão em alguns cursos chega a 50%) e ofereçam um terço das vagas em cursos noturnos. O PNE também quer mudanças nos currículos: 10% do total de créditos curriculares devem ser destinado a programas e projetos de extensão. As cotas raciais, aprovadas na Conae, foram excluídas do plano.

Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres e doutores nas instituições de educação superior para 75%, no mínimo, do corpo docente em efetivo exercício, sendo, do total, 35% doutores.

O investimento na formação dos professores é considerado um avanço pelos especialistas. Para eles, de fato, a qualidade de ensino oferecida aos estudantes só melhora a partir do momento que os professores são capacitados. Nessa meta, um item promete novos debates no Congresso: o MEC propõe a substituição do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) aplicado aos calouros pelo Enem. Como a avaliação do ensino médio é voluntária, não há definições sobre como essa substituição poderia ocorrer.

Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.
Os especialistas também apóiam a decisão de estimular a expansão da pós-graduação. Hoje, cerca de 30 mil mestres e doutores são formados por ano no País. Para isso, a expectativa é a de que o financiamento de cursos seja ampliado pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).
Meta 15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.
O ministro da Educação disse que essa precisa ser a “década de valorização dos professores”. Os especialistas concordam que esse deve ser um ponto central do plano e elogiam a iniciativa de criar uma política nacional de formação e valorização dos profissionais da educação em um ano. Porém, criticam a falta de clareza sobre como será a parceria entre Estados, municípios e União. “A maioria dos municípios consegue pagar o piso, mas não oferece uma carreira atraente. Falta dinheiro. Precisaremos de 20% a mais de profissionais em quatro anos e não temos como resolver”, diz o presidente da Undime.

Meta 16: Formar 50% dos professores da educação básica em nível de pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação continuada em sua área de atuação.
Gontijo considera a formação dos professores essencial para o cumprimento das metas nos próximos anos, por isso defende a proposta. Para ele, considerando o universo de docentes brasileiros, a ambição é ousada. “É necessário qualificarmos melhor os professores para garantir educação de qualidade, acho que as metas do Ideb passam por isso. Essa é uma meta muito interessante, mas audaciosa”, afirma.

Meta 17: Valorizar o magistério público da educação básica a fim de aproximar o 
rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente.
Os especialistas elogiaram a criação de um fórum que acompanhe essa atualização dos salários. Mas se preocupam em quem pagará essa conta, já que há municípios e Estados que alegam não ter adotado o piso salarial, hoje em R$ 1.024, por falta de recursos. Haddad não descartou a possibilidade de as mesas de negociação incluírem a participação do governo federal para que a meta se consolide.
 
Meta 18: Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino.
A prova nacional de admissão de docentes para contratação de professores, hoje já feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A meta é chegar a 90% de servidores nomeados em cargos efetivos durante o plano.

Meta 19: Garantir, mediante lei específica aprovada no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar.
Os gestores que não utilizarem critérios claros para a escolha
de diretores nas escolas públicas poderão ser punidos. A nomeação de gestores escolares pelas secretarias de educação não é aprovada pelas entidades e ainda ocorre em muitos municípios. O MEC sugere a criação de uma prova nacional específica para diretores, que poderia ser utilizada para ajudar a adoção de critérios técnicos e de mérito nessa tarefa.


Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do produto interno bruto do país.

Essa é a meta que mais provoca discussões e preocupações entre os especialistas. Durante a Conae, apontou-se a vontade de que esse percentual de investimentos fosse atingido em 2011 e chegasse a 10% em 2014. Para eles, os recursos definidos no PNE não serão suficientes. “Essa era a parte que deveria ser a mais forte, mas inexplicavelmente é a mais fraca. Em 2001 o parlamento propôs que esse (7% do PIB) fosse o gasto em 2010. Estamos prorrogando por mais dez anos a meta não alcançada”, critica o consultor educacional Luiz Araújo. Daniel Cara acredita que é preciso fortalecer também o papel do custo-aluno qualidade, que define padrões mínimos de investimento por estudante. O tema promete ser muito debatido no Congresso ainda.

Por: Priscilla Borges,
Fonte:  iG Brasília |

Plano Nacional prevê 8% de investimento do PIB para educação



Comissão Especial da Câmara propõe porcentual abaixo do solicitado por entidades e acima do proposto pelo governo



A Comissão Especial da Câmara dos Deputados protocolou nesta segunda-feira o relatório final do Plano Nacional de Educação que deve ser lido na terça-feira às 14h30. O documento define as estratégias para o setor para a década entre 2011 e 2020. O porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) do País destinado à Educação, que era o ponto mais polêmico, ficou fixado em 8% até o fim da década. O projeto original do governo previa 7% e as entidades de defesa da área pediam 10%.

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A leitura do relatório foi agendada e adiada cinco vezes. O relator da comissão, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) chegou a declarar que o total chegaria a 8,29% do PIB na semana passada, mas ele e outros parlamentares da base foram vencidos em discussões com o governo.
Após a leitura, abre-se o prazo de cinco sessões para apresentação de novas emendas ao texto. Desde a semana passada, vários parlamentares que são membros da comissão especial criada para avaliar o plano previam que caso a meta definida pelo relator fosse inferior a 10% do PIB seriam apresentadas mais emendas para tentar aumentar o patamar de investimento. Caso seja feito algum pedido de vista ao relatório, a aprovação do projeto pode ficar para 2012 já que o recesso parlamentar começa em 22 de dezembro.
A versão original do relatório recebeu quase 3 mil propostas de emendas, um recorde do Congresso Nacional.

Principais mudanças
Entre as principais alterações está a garantia de atendimento educacional especializado para estudantes com deficiência que preferirem uma escola especializada. O ponto é polêmico, pois educadores defendem que cabe inclusão em todos os casos, mas instituições especializadas defendem que alguns estudantes perdem tempo em salas comuns.
A proposta do governo tratava somente da universalização do atendimento dos alunos com deficiência de quatro a 17 anos de idade na rede regular de ensino. O relatório de Vanhoni manteve a universalização, mas criou uma ressalva: caso não seja possível integrar esse aluno em classe comum, ele terá assegurado atendimento especial.
Outra demanda dos professores foi atendida no relatório. O projeto original trazia como meta a aproximação do rendimento dos professores àquele de profissionais de mesmo nível de escolaridade com equiparação até o fim da década. Pelo relatório, o governo terá seis anos para garantir que a renda do magistério some 80% da média dos outros profissionais. Ao final de dez anos, deverá atingir 100%.
O relatório também amplia a meta de expansão do ensino profissional técnico de nível médio. O governo propôs a duplicação dessas matrículas em dez anos. De acordo com o parecer, contudo, as matrículas serão triplicadas no mesmo período.
Já no caso do ensino em tempo integral, em que os estudantes têm aulas nos dois períodos do dia, o parâmetro de avaliação de cumprimento da meta também mudou. Pela proposta original, até 2021 deveriam ser oferecidas classes integrais em pelo menos 50% das escolas de todo o País. Segundo o documento apresentado hoje, em dez anos esse tipo de atendimento deverá beneficiar pelo menos 25% de todos os alunos da rede pública de educação básica.


Campanha comemora e critica
A Campanha Nacional pela Educação, que congrega ONGs e entidades representativas, como a União Nacional dos Dirigentes Municipais, em uma primeira análise, avalia que o projeto apresentado avança em relação ao original do governo, mas precisa de revisões. Em nota, a campanha comemora dois pontos e critica outros três.
Para o movimento, o principal avanço foi a melhoria no Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQ). O indicador foi incorporado pelo CNE (Conselho Nacional de Educação) em maio do ano passado a partir de estudos feitos pela campanha com insumos como remuneração condigna dos profissionais da educação, formação continuada dos educadores, número adequado de alunos por turma, equipamentos e materiais didáticos, transporte e alimentação escolar, entre outros. 
Outro ponto enaltecido é o reforço do controle social. "Em primeiro lugar, para boa parte das metas, foram estabelecidas submetas ou metas intermediárias. Depois, foi determinada a inclusão das informações advindas das pesquisas e censos demográficos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no escopo dos dados a serem utilizados para o monitoramento do novo plano. Por último e complementarmente, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) ficará obrigado a produzir análises bienais para subsidiar a avaliação do novo PNE, que vigorará pelos dez anos imediatamente seguintes à sua aprovação", diz a nota. 
A Campanha, no entanto, avalia que há necessidade de mudanças essenciais no texto proposto pelo deputado. "A falha mais grave se dá na indeterminação de responsabilidades financeiras entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios. Em termos práticos, isso inviabiliza a expansão de matrículas com base em padrões de qualidade e coloca em risco a valorização dos profissionais da educação."
Também há críticas em relação a concepções pedagógicas como a questão da alfabetização até os 7 anos de idade, considerada precoce e em relação ao porcentual de investimento considerado baixo.

Fonte:
iG São Paulo | 05/12/2011

domingo, 27 de novembro de 2011

Ser professor!

Eduardo Beltrão de Lucena Córdula
Professor, especialista em supervisão escolar




A educação no Brasil passa por um momento de extrema transformação. Desde os novos teóricos mundiais, com conceitos metodológicos que focalizam o lado humano e insere a pedagogia como processo científico na busca do entendimento das formas do ato de educar, transformando a criança no futuro cidadão, estamos por um lado, quebrando barreiras arcaicas do tradicionalismo que se reveste atualmente de dialógico e que persiste na bagagem metodológica de dogmáticos magísteres, e que acabarão, com o tempo, se convertendo à nova ideologia pedagógica, que vislumbra a gênese de novos paradigmas sócio-educativos em nossa nação. Porém, grandes são as dificuldades enfrentadas na educação pública, que não são previstas ou conjecturadas pela nova pedagogia, pois vivenciar tais situações é uma árdua tarefa unicamente nossa: professores/educadores do ensino fundamental básico, que, diariamente, convivemos com inúmeras adversidades ao processo de ensino-aprendizagem. Tais situações têm como gênese a comunidade, a família, o discente e a política nacional de uma maneira geral (Camêlo, entre outros, 2009).
Vemos e convivemos com situações das mais diversas ordens, indo de um simples desvio de comportamento refletido em sala de aula, por uma internalização de problemas oriundos do seio familiar ou da comunidade de origem de nosso alunado, até situações extremas de violência verbal e física exacerbada, de forma agressiva e explosiva de alguns de nossos alunos. Problemas cujas origens vão além do trabalho educacional e teriam que ter como participantes para saná-los outros setores sociais e políticos. Além disso, temos uma carência logística e humana de profissionais especialistas dentro das escolas para darem suporte às atividades docentes e, conjuntamente, buscar soluções e trabalhar com este alunado (Aranha, 2004).
Não obstante tudo o que já foi citado, temos a ausência das famílias de nossos alunos na escola, para que possam acompanhar o desenvolvimento educacional de seus(uas) filhos(as). Na realidade, muitos se omitem e, com isto, problemas que poderiam ser conjuntamente sanados passam a se repetir em um ciclo vicioso, pois só há um trabalho unilateral (pela escola) para solucioná-los. Percebemos que muitos desses familiares transferem a sua responsabilidade na educação doméstica dessas crianças para a escola, principalmente, para o(a) professor(a), cujo papel profissional não é este, porque vai muito além dos bons modos (Freire, 1997).
Nesta roda-viva da educação brasileira, cuja dedicação é formar brasileiros capazes de se engajarem na sociedade e se tornarem cidadãos comprometidos e responsáveis com o desenvolvimento da nação, contribuindo para o nosso crescimento e prosperidade, acabamos tendo que mudar a ótica do ensino para sanar problemas que nunca deveriam existir, mas programas e projetos são emanados de escalões superiores às escolas para serem desenvolvidos, baseados em estatísticas quantitativas, e o que mais nos interessa, que é o qualitativo humano, não é mensurado pelos modelos esquemáticos governamentais. Acreditam, portanto, que tais ações resolverão o déficit de aprendizagem e de qualidade na formação do indivíduo para a sociedade. Ao invés disso, o ensino da matriz curricular das séries acaba sendo desprezado para passar por um processo seletivo e se adequar ao desejo surreal de quem não vivencia nossa realidade, o que na essência não muda muito, pois a solução não está só na escola, mas em todo o sistema social e político que engrena a nossa sociedade (Fleuri, 1997).
Na ponta do processo está o(a) professor(a), mal remunerado(a), com longas jornadas de trabalho, sem o devido apoio político e social, sem valorização profissional e que vivencia todos os dias o árduo trabalho de ensinar e de educar as jovens mentes, amadurecendo-as cognitivamente, para que se tornem os cidadãos do amanhã. Apesar de tantas adversidades multifacetadas, revelamos o nosso lado não só profissional, mas também humano, de amor e de dedicação ao pleno ato de ensinar, enchendo crianças e jovens de esperanças, sonhos e preparando-as para um futuro. Mesmo com tantas barreiras e vieses que desestimulariam qualquer indivíduo, por mais competência que detenha em seu ser, mesmo assim, cansados e desestimulados, lá estaremos cuidando de nossas crianças, educando-as, escutando-as e tentando reverter o atual quadro de violência extrema e de desrespeito generalizado que toma conta de nossa sociedade globalizada, virtual e consumista (Sodre, 1998).
O primeiro passo está em compreender que cada criança possui um mundo próprio, com sua bagagem de emoções e de conhecimentos, oriunda de sua experimentação em família e em sua comunidade de origem, que claramente se refletem na escola. Temos que utilizar essa informação não para confrontar o alunado, mas para, a partir do seu mundo, transformá-lo e mostrá-lo um novo olhar sobre aquilo que ele está vivenciando, que poderá passar a ter outra conotação, um novo sentido para sua vida. Com isto, ele mesmo perceberá que caminho está tomando e mudanças acontecerão verdadeiramente (Camêlo entre outros, 2009).
Elevar a autoestima do alunado, tratando-o com respeito e dignidade, para que se sinta valorizado no processo de ensino-aprendizagem, exemplificando atitudes corteses e bons-modos que quebrantem a rígida carapaça arredia que trazem consigo e, mesmo que em alguns momentos se faça a necessidade de medidas repressivas, em virtude de comportamentos negativos extremistas, mostrar que a repreensão é necessária não como punição, mas como um momento de chamar sua atenção e de indicar que existem normas a serem seguidas, para que se mantenha o equilíbrio salutar entre todos na escola e na sala de aula e que, em nenhum momento, existirá o paradigma sentimental de raiva ou de mágoa, mas que sempre haverá a relação mútua de respeito e reciprocidade salutar entre professor(a) e aluno(a), até que todos entendam e fomentem em suas vidas a harmonia (Freire, 1990).
Alguns afirmam categoricamente que ensinar é um sacerdócio e não uma profissão. Mesmo com tantos problemas, é isto que torna a vida significativa, pois tão nobre ato de desprendimento pessoal é, em suma: ensinar, educar e cultivar vidas para que, em um futuro próximo, se tornem cidadãos com liberdade social e econômica e, neste momento altivo da vida, se lembrem de seu(ua) professor(a) da educação básica, que contribuiu para sua ascensão pessoal e profissional. E que, em retribuição, em sua jornada da vida, mudem a face da sociedade brasileira, para que valorize, prestigie e honre tão nobre profissional do magistério, como nos tempos de outrora.

BIBLIOGRAFIA

ARANHA, M. S. F. (Org.). Educação inclusiva, v. 3 – a escola. Coordenação geral SEESP/MEC. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2004.
CAMÊLO, I. A.; SILVA, J. V.; MANHÃES, E. V. S. Educar para a cidadania. In: I Seminário Regional de Educação Ambiental para o Semi-Árido Nordestino e Encontro Paraibano de Educação Ambiental, João Pessoa- PB, 2007. Anais. João Pessoa: UFPB/REAPB, 2007. CD-ROM.
FLEURI, R. M. Educar para quê? Contra o autoritarismo da relação pedagógica na escola. 9ª ed. São Paulo: Cortez, (Biblioteca de Educação, série I. Escola; v. 12 ). 1997.
FREIRE, P.; MACEDO, D. Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra. 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
FREIRE, P. Professora Sim, Tia Não: cartas a quem ousa ensinar. 8ª ed. São Paulo: Olho D’Água, 1997.
SODRÉ, M. G. Consumo e globalização. In: SÃO PAULO (Estado). Educação ambiental, meio ambiente e cidadania: reflexões e experiências. São Paulo: SMA/CEAM, 1998. p. 103-106.

sábado, 26 de novembro de 2011

Escola, para quê?


Denise Vilardo
Professora

Fiquei com vergonha.
O suplemento Megazine, de O Globo, de 17/04/2007 publica uma matéria de duas páginas falando de como os indígenas estão utilizando a internet, tanto para se comunicar, divulgar sua cultura, como para aprender espanhol, por exemplo; mostrando como homens e mulheres podem se beneficiar da tecnologia dos computadores, lembrando a ideia primordial de que toda tecnologia é criada para servir ao ser humano.
Em seguida, somos nocauteados com uma reportagem que conta como alguns colégios particulares aqui da cidade do Rio de Janeiro estão preparando meninos e meninas do Ensino Fundamental para o vestibular! Com testes simulados aos sábados, para já irem treinando... Desde a quinta série!
É a instituição escolar torturando cada vez mais cedo!
O que é isso, professores???
Como é que pessoas teoricamente preparadas para lidar com crianças e jovens nas escolas conseguem defender essa ideia? O que está acontecendo? Perdemos completamente a razão? Estamos esquecidos do nosso papel de educadores? O papel da escola se resume a isso? Preparar para o vestibular? Quer dizer que o certo, que a coisa boa a se fazer é adestrar nossos jovens cada vez mais cedo?
Ou seja, ao invés de combater um sistema que é injusto, incoerente e massacrante, nós o fortalecemos, com a desculpa de que estamos preparando os jovens. Não acredito que professores comprometidos com o exercício da cidadania de seus alunos, preocupados com a formação de pessoas de bom caráter, interessados em construir conhecimento e autonomia com esses jovens concordem com esse esquema de trabalho.
Que equívoco, professores, que equívoco!
Será que nem os resultados do Enem fazem os professores perceberem que esse esquema não dá certo? O Enem pressupõe que os alunos estejam aprendendo a pensar, estejam articulando conhecimentos de áreas variadas e que saibam criar argumentos para defender suas ideias através da linguagem escrita.
A UERJ e a UFRJ – cada uma a seu modo - também esperam alunos pensantes, que escrevam com desenvoltura – e não alunos que decorem esquemas e técnicas.
E o que se faz é tentar enquadrar isso num modelito que sirva para todos, criando turmas especialmente adestradas para responder a questões supostamente pré-formatadas.
E, por favor, não me venham com a história de que estamos atendendo aos anseios dos pais ou que estamos preparando para o futuro.
Escola não é curso preparatório! Escola não é lugar para manutenção e confirmação do que não é bom. Escola não pode ser excludente.
Nós, educadores, somos responsáveis pelo debate e pelo esclarecimento pedagógico do que deve ser feito na escola. E escola é lugar de formar gente em suas potencialidades e diferenças.
Escola é lugar de compreender e aprender para o mundo que estamos vivendo agora, e não para um futuro que sequer sabemos qual será.
Escola é lugar de pensar alternativas para melhorar o que não está bom, de aprender a lutar pelo bem-estar coletivo.
Escola é lugar de formar pessoas para respeitarem-se, para serem solidárias, justas e dignas.
Escola é lugar de ampliar e produzir conhecimentos. É lugar de transformação.
E se a sociedade está do jeitinho que está, cheia de gente sabida e esperta, que só sabe “levar vantagem em tudo", é porque temos formado gerações e gerações sem nos preocupar com as transformações necessárias, preocupados que somos com a manutenção de uma coletividade perversa, que já se mostrou suficientemente incapaz de acolher os verdadeiros valores da vida humana.
Os grandes pensadores-educadores deste país, que pensaram uma escola que dignificasse o ser humano, como Paulo Freire e Darcy Ribeiro, devem estar se revirando no túmulo.
Se os colegas não considerarem nada disso como relevante, que pensem em suas vidas de estudante e lembrem-se da tortura das "semanas de provas", da angústia e da ansiedade que elas causavam e, pelo menos, reflitam sobre os motivos de estarmos até hoje reproduzindo essa situação e, pior, antecipando nas vidas de nossos alunos esses momentos doentios.
Convenhamos, isso não faz bem a ninguém.
Onde estão os educadores desta cidade? Por favor, apresentem-se, para eu não morrer de vergonha.

Educar é criar


Bianka Barbosa Penha
Editora do Dicionário de Poética e Pensamento

 

Primeiras palavras...

Apesar das tentativas de ruptura com o tradicionalismo conservador, a educação – ou, melhor dizendo, o sistema escolar do qual fazemos parte – permanece insatisfatória.
Para que possamos refletir a esse respeito, é necessário perceber de que maneira a educação é não só compreendida mas experienciada há séculos, tanto pelos componentes do corpo docente e administrativo quanto pelos alunos. É fundamental que nos lancemos nas seguintes questões: o que é educação? O que significa educar? Qual a verdadeira relação estabelecida entre professores e alunos no processo de ensino-aprendizagem? É realmente possível ensinar algo a alguém? O que entender por ensino? Ensino é apenas a transmissão e apreensão de conteúdos e regras a serem assimiladas e passíveis de aplicação? É nisso que está concentrada a tão preocupante qualidade do ensino?
Antes, porém, de aprofundarmos nossa conversa, vejamos claramente a maneira pela qual há séculos legitimamos o fazer educativo.

Cartilha do bem ensinar

Pegue seu aluno e coloque-o em uma sala. Durante quatro horas, sem interrupção, informe-o a respeito de todas as frivolidades presentes na Física, na Matemática, na Língua Portuguesa e nas demais disciplinas. A condição para que o efeito seja o esperado é que toda essa informação não signifique absolutamente nada nem para ele nem para você, professor. Permaneça assim durante doze anos, tempo básico de permanência de um aluno no ambiente escolar. Com o tempo, tomado pelo tédio e pela falta de perspectiva, o aluno estará pronto em erudição, ou seja, adequadamente modelado para fazer parte de nosso círculo social.
Sabedor de todas as diferentes formas de aniquilamento, tanto teóricas quanto práticas, ele poderá enfim nos substituir. Para tanto é necessário que nós, “educadores”, evitemos refletir a respeito de determinadas questões. Caso o façamos, sejamos bastante evasivos e nos embasemos nas técnicas retóricas utilizadas para o convencimento das massas. Assim, conseguiremos alcançar o objetivo proposto: a falência gradual do humano e, consequentemente, da sociedade, a fim de que sejamos condizentes com as exigências previstas nos códigos de ética.

Iniciando a conversa

Apesar da aparente loucura, é exatamente assim que o ambiente escolar tem sido figurado. Em meados de 1630, Comenicus já lançava tais perguntas diante da falência educacional, enraizada há mais de cem séculos anteriores ao dele. Ainda assim, passado tanto tempo e sabedores de todo o percurso pelo qual a educação vem passando, perpetuamos a falência do humano, espinha dorsal do processo de ensino-aprendizagem que fabricamos. Afirmo “fabricamos” porque a relação é exatamente essa: sujeitos que, condicionados, fabricam objetos também modeláveis e modelados para o bem da fábrica. É lamentável, mas o fato é que essa é a escola que nos forma.
Formar não é entendido aqui como uma ação que conduz para a participação crítica do indivíduo com o mundo que o cerca, mas a prática aniquiladora de coerção do pensar e do sentir de grande parte dos homens que passam, passaram ou passarão pelos bancos escolares.
O tradicionalismo conservador se alimenta atualmente da inversão do significado trazido pela Escola Nova ao proclamar erroneamente o olhar centrado no aluno. Ou seja, baseados na vontade de pais e alunos, confundimos educar com domesticar para o mercado de trabalho. Não há diálogo, mas apenas inversão do monólogo iniciado pelo tradicionalismo que pregava o umbigo do professor como o centro do universo. Como hoje os alunos passaram a ser rentáveis consumidores de saberes e a escola uma mera prestadora de serviços, o umbigo da vez é o dos alunos. E assim, contrário ao pensamento que nos convoca a perceber a importância de proporcionar o desenvolvimento crítico não só dos alunos mas de nós, professores, empreendemos a produção em série de alunos clientes, consumidores de provas, testes e trabalhos vazios de significação. A excelência do ensino, confundida com a burocratização do ato de ensinar, faz-nos acreditar que o fundamental se concentra no “crédito cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma sigla, sendo que, para fins institucionais, nenhuma diferença faz aquele que a ministra” (Alves, 1980, p. 13).
Passamos grande parte da vida estudando, seja como professores ou alunos, e na maioria dela o que aprendemos e ensinamos com alegria está fora da escola. Costumo dizer que, se antes havia os métodos clássico-tradicionais de tortura, como a palmatória ou o ajoelhar no milho, atualmente fazemos uso dos métodos tecno-pós-modernos: coleção de uma erudição informativa que, sem significação humana, joga o homem como um abutre na caverna estéril, com sombras projetadas em seu fundo, simulacros daqueles que, por se acharem livres, permanecem também ali, presos. Embebidos na ignorância, diplomada ou não, sequer damos atenção à luz que insiste em atravessá-la. Se tivéssemos a coragem de segui-la, talvez reencontrássemos o sentido original de educar.
Dessa forma, “sentido original” não pode ser entendido como mera novidade, mas como a radicalidade que nos conduz, como o próprio nome já diz, à raiz de nós e do mundo. Neste momento, alguns podem pensar: talvez as teorias evolucionistas ou as formulações biogenéticas nos ajudassem a chegar à explicação de que precisamos para alcançar a tal da origem. Proponho, no entanto, a reflexão acerca da seguinte questão: de que palavras nos alimentamos? Quais palavras damos em alimento? Pensar a palavra significa nos encaminhar para a radicalidade presente em todo e qualquer ato de educar.

Educar é ser palavra

Nesse sentido, a palavra não pode ser entendida apenas como código linguístico a ser apreendido como condição para a aceitabilidade social, pois, se for assim, devemos então assumir de uma vez por todas a parceria da ação educativa com os ditames de regimes preconceituosos, que nos impelem a utilizá-las como instrumento de segregação entre os homens. Do contrário, se atentarmos para sua etimologia, veremos que “palavra” se origina do verbo grego paraballein, a saber, lançar no entre. Isto é, a palavra é um convite para nos lançarmos no entre que somos enquanto professores, alunos e vida.
É o reaprender a falar que nos possibilitará o retorno à capacidade de ser todo ouvidos, ou seja, palavra. Assim como o educar, a palavra também é diálogo, isto é, o ético – sangue humano – presente em nós e em nossos alunos. Educar é ser palavra, e ser palavra é ser presença no mundo.
O fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa condição em face do mundo que não é a de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem nele se adapta, mas de quem nele se insere (Freire, 1996, p. 54).
Compreender o “ser presença no mundo” implica reconhecer que a educação é inclusiva. Nesse sentido, a inclusão remete para a singularidade constituinte de cada indivíduo, ou seja, trata-se de uma nova proposta de olhar. Ora, se a cultura possibilita o desenvolvimento e a aprendizagem do indivíduo, então é necessário que a escola esteja atenta para as diferentes culturas que a compõem. E mais do que isso: deve atentar para o fato de que o aluno é também um ser histórico, com dificuldades e conquistas próprias. Significa incluir a diferença como cerne do processo de aprendizagem, principalmente porque com ela nos abrimos para o fato de que cada aluno é único e insubstituível.
Quando um poeta seleciona uma palavra e a coloca em seu poema, não é feito de maneira aleatória. Há todo um cuidado com ela, pois diante dela ele pode ouvir suas origens. Sendo assim, ao nos colocarmos diante de um poema, não podemos desconsiderar ou generalizar uma palavra sequer, pois cada uma é única. E, diante do poema, nós, leitores, também somos convocados a ouvir a voz de nossas origens. Assim é uma sala de aula. Um grande poema convidando a lê-lo. Cada aluno-palavra é único, compondo a música de nossas origens, pois não nos esqueçamos: também um dia fomos alunos. Perceber isso é reconhecer o ético.
Compreender a aprendizagem como processo de inclusão implica uma abertura para o caráter ético da atuação educacional, pois, para além da moral, o ético é o único caminho que nos possibilita lançar esse novo olhar.
Daí a incoerência dos conteúdos educacionais dissociados da palavra. A institucionalização do ético gera a síndrome do trabalho vazio em todas as áreas. Pois o caminho afastado das experiências de quem o percorre é apenas uma proposta ilusória de tracejo, pois, em verdade, ele só pode acontecer quando nos lançarmos com ele na caminhada, quando tivermos a ousadia de ser a palavra que nos habita como pensamentos e gestos próprios e permitirmos que o nosso próximo seja conosco.
Deixemos de lado todo o otimismo pessimista ou, quem sabe, todo o pessimismo otimista que assola a educação há tempos. Pensemos com profundidade: de que vale a vida? Talvez encontremos uma “resposta” para a situação na qual nos encontramos.
Atualmente banalizada, tal questão virou tema de autoajudas que feliz ou infelizmente não conseguem alcançá-la, pois perguntar por si mesmo ou pela vida não requer uma série de aparatos psicologicamente comprovados como eficazes, mas apenas escuta. Escuta não daquilo que pensamos ser a coisa ou do que temos vontade de ouvir, mas dela mesma. Nesse sentido, afirmo que a humanidade não existe, pois se realmente existisse todos os conceitos criados para caracterizá-la seriam experienciados por todos, da mesma forma, em todas as épocas. Daí porque não haver sentido em uma educação ou sistema educacional que fundamente sua ação na adaptação para o social.
Educação não é apenas uma das áreas de atuação profissional oferecidas pela sociedade, mas o agir genuinamente criativo que a possibilita junto com todas as outras áreas. Educar é criar; sendo assim, mais do que modelarmos socialmente os alunos, o educar nos convoca para a criação da sociedade que vislumbramos, mas não temos.
Ora, é mais do que sabido que a escola é hoje um dos maiores centros de formação para a violência e a hipocrisia. Todos os anos, com empenho assustador, retiramos dos alunos a possibilidade de reversão da precariedade social em que, na maioria das vezes, se encontram. É vergonhoso e preocupante, mas parece que a escola funciona há tempos em regime de castas, onde uma não pode ter respeito com a outra, sob pena de condenação eterna. Diante disso, qual o lugar ocupado pelo humano?
Ser humano é ser junto. É necessário negar a afirmação liberticida de que “a minha liberdade acaba quando começa a do outro”. A minha liberdade acaba quando acaba a do outro; se algum humano ou humana não é livre, ninguém é livre (Cortella, 2002, p. 156).
A liberdade, abertura para o “ser livre”, implica viver de i-mediato aquilo que se ensina e se aprende. Ou seja, experienciar sem o auxílio de mediações o que se é. A isso damos o nome de disciplina, a saber, o compromisso de ser. Nesse sentido, o professor não pode ser visto como apenas um mediador ou facilitador da aprendizagem, mas antes um complicador. Educar não é saber dar as respostas certas, mas convocar para o interior das questões, reaprendendo a desaprender (cf. Pessoa, 2007, p. 64). Sair dos paradigmas e das conceituações prévias que nos fazem perder tempo com explicações repletas de desamor a respeito do homem, do mundo e da vida.
A ilusão do professor é realmente acreditar que o aluno é uma tela em branco, na qual ele, o grande artista, fará a sua mais notável obra. Ora, o que ocorre é justamente o contrário e independe da vontade triunfante de um sujeito ou de um objeto. Pois, em verdade, se fosse assim, todos os que passam anos em cursos de pintura se tornariam exímios pintores. Não há fórmula nem cartilha. O que possibilita a obra é o saber ver que conduz a mão do pintor para longe de onde ele gostaria de ir. É o saber ouvir o canto da Musa, útero do mundo, que o conduz ao primeiro momento do que já não lembramos mais. Ser educador é estar constantemente lançado em uma tela misteriosa e nevoada, onde, em seu interior branco, concentra todas as cores. O segredo está em termos a sabedoria de distingui-las, ou seja, coparticipar do processo de iridescimento a que cada um está convocado.

Educar é criar...

E não se limita aos muros e grades escolares. Criar é deixar ser aquilo que se é no vigor do desconhecido. É reconhecer na autocriação um caminho possível. Criar é estar sendo aluno com o aluno. É compreender que a construção é mútua, recíproca, mas indefinível. É ousar ir na contracorrente do social do qual fazemos parte, ainda que não saibamos aonde iremos chegar.
Criar é fazer acontecer as palavras e os números em nosso corpo. É sermos capazes de ver a cor das cores, sem atribuições adjetivas ou conceituações prévias. É pensintir que somos as palavras, os números e as cores do mundo junto com outras palavras, números e cores. É ter coragem de admitir que o mundo não é nosso, e muito menos a vida, mas que a partir deles somos possibilidade para a possibilidade (Fogel, 2009, p. 41).
Criar é gestar no sentido materno do termo. É deixar brotar e florescer de si para si. É acontecer como gesto – leite – alimento da, na e para a vida. Criar é educar o homem para o humano e o humano para o real. “Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade” (Lispector, 1998, p. 21). Realidade é criação, algo que, por mais que teorizemos, jamais conseguiremos explicar. Realidade é a semente na terra e seu destino. É a emoção de ser criação com a criação. Realidade é a exatidão do que não podemos objetivar. Realidade é criar e educar, tessitura dançante de água, ar, fogo e terra... Vida que não vemos a olhos nus.
Educar para o real ou sua realidade significa, então, convocar para o confluir. Irromper com o mundo que somos desde o útero, atentos, contudo, às categorizações e aos modelos, os quais tenderemos a seguir. Com isso, educar para o real não significa empreender uma revolução a fim de transformar o social que já se tem, mas regar as sementes que ainda estão por vir. É saber re-conhecer que
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo o que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver
[...] gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena (Pessoa, 2007, p. 48-9).
Sendo assim, educar é uma iniciação ao mistério. De mãos dadas, educadores e educandos caminham entre as flores do conhecimento. Os dedos apontados são a acontecência do mundo no exato momento em que o vemos. É preciso, contudo, estar atento, pois em cada uma das flores há serpentes que, ao picar, liberam o veneno do “conhecimento absoluto”, que nos condiciona a ver o mundo sempre da mesma maneira. Tal veneno nos enfraquece a capacidade de pensar e sentir e nos faz acreditar nas abstrações simbólicas que tentam representar, a saber, substituir a vida com suas falsas ideias. Assim, o conhecer que poderia ser um belo caminho rumo à sabedoria transforma-se num “nunca ter visto pela primeira vez, e nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar” (Pessoa, 2007, p. 105).
A sala de aula é como uma sala de cirurgia. Ora acontecem partos, ora transplantes, ora desobstrução dos vasos sanguíneos... A diferença consiste na morte. Quando um médico perde um paciente por algum motivo, não há retorno, e o que se presencia é a falência do corpo, que culmina na irreversibilidade da morte que o “retira” da vida. Na sala de aula, os procedimentos realizados de forma errada – na maioria das vezes oriunda da falta de compromisso com o fazer educativo, que não se restringe apenas à atuação docente – induzem os educandos ao que chamo de “coma existencial” ou “viver póstumo”.
Atualmente a sociedade está repleta de pessoas vivendo assim. É como se suas vidas não fizessem sentido e o que realmente desejam ficasse abafado pelas mãos que os modelam feito massa, a fim de transformá-las nos simulacros das vidas que já se foram. Esse quadro justifica a falta de interesse de alunos e professores pela escola. É desesperador passar horas de nossos dias falando e ouvindo coisas que não nos fazem sentido algum.
Criar é educar para e na cidadania, e isso não significa domesticar para a decodificação adequada de letras, números ou segredos das provas de vestibulares, mas orientarmo-nos, educadores e educandos, na leitura de nossas vidas. Cidadania não deveria ser associada à obrigatoriedade de voto, por exemplo, mas à oportunidade e à liberdade de percebermos criticamente o que somos ou podemos ser e nossa posição em face do mundo.
Educar e criar é saber reconhecer que cada um de nós, educadores e educandos, somos uma nota musical, uma palavra em poesia, gotas de chuva no oceano. Sendo assim, cabe a cada um de nós pensar muito bem na música, na poesia e no oceano que pretendemos compor, tecer e mergulhar no decorrer de nossas vidas.

Referências bibliográficas:

ALVES, Rubem. Conversas com quem gosta de ensinar. São Paulo: Cortez, 1980.
CORTELLA, M. S. Conhecimento escolar: epistemologia e política. In: CORTELLA, M. S. A escola e o conhecimento. São Paulo: Cortez, 2002.
FOGEL, Gilvan. Notas sobre o corpo. In: CASTRO, Manuel Antônio de (org.). Arte: corpo, mundo e Terra. Rio de Janeiro: 7Letras, 2009.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.
PESSOA, Fernando. Poemas de Alberto Caeiro: obra poética II. Porto Alegre: L&PM, 2007.
Publicado em 06 de julho de 2010

A linguagem da animação na sala de aula


Gabriel Cruz
Designer e Cineasta de Animação


 O uso da linguagem audiovisual em sala de aula é uma das mais conhecidas maneiras de ajudar o aluno a aprender um determinado conteúdo: vídeos de experimentos, documentários sobre a vida selvagem, filmes com temas relacionados a cidadania ou valores que servem de referência a formação crítica do aluno, entre outros.
Mas e essa linguagem audiovisual chamada Animação? Como ela pode colaborar para o aprendizado?
É no fascínio dessa arte que desenhos sendo exibidos sequencialmente vão gerando a chamada ilusão da vida. E, por se tratar de sequências de imagens criadas (e não fotografadas), qualquer coisa poderá ser representada e colocada tanto na pequena tela de TV quando na grande tela do cinema.
Assim, podemos notar ângulos praticamente inexistentes, animais que falam e até mesmo seres inanimados que ganham vida.
Da mesma forma, é possível dar vida a elementos abstratos, comuns a tantas disciplinas, e animá-los de forma que fique mais fácil ao aluno o entendimento de um conteúdo. Um exemplo disso é a animação a seguir, que aborda os temas nomenclatura e modelos de representação de moléculas, para Química.

Muito além de uma lousa animada

Não basta, para a linguagem da animação, servir de mera ilustração de um determinado conteúdo. É necessário algo mais, que seja capaz de atrair a atenção do aluno. Para dar potencial ao conteúdo visual animado, podemos utilizar as palavras do mestre dos quadrinhos Will Eisner:
É mais fácil ensinar um processo quando ele está envolto numa “embalagem” interessante (...), uma história, por exemplo. Quando demonstraram a capacidade de organizar elementos técnicos numa ordem disciplinada, os quadrinhos encontraram uma clientela pronta.
Da mesma forma que os quadrinhos, a criação de uma história como embalagem para um determinado conteúdo na animação chama mais ainda a atenção do aluno, pois, além de tornar o conteúdo menos abstrato, o aluno pode se relacionar afetivamente com a personagem de uma história.
Um exemplo é o curta animado The Dot and the Line: A Romance in Lower Mathematics, dirigido por Chuck Jones em 1965. Baseado no livro homônimo de Norton Juster, o curta conta a história de uma reta que se apaixona por um ponto, mas para que ela consiga conquistá-lo ela precisa aprender a se expressar. Com isso ela cria curvas e ângulos. Vários elementos das disciplinas de Matemática são abordados no filme, enquanto o espectador fica torcendo pela reta apaixonada.
Falando em Matemática, outro exemplo é o média-metragem Donald in Mathmagic Land (conhecido por aqui como Donald no país da Matemágica), em que a famosa personagem de Walt Disney se depara com um mundo gigantesco, cheio de elementos ligados à Matemática, principalmente à Geometria. Aliás, não é raro o uso dessa produção nas aulas de Desenho Geométrico.
A criação de uma história possibilita que um determinado elemento, além de se tornar concreto, ganhe personalidade. E, dependendo de como for abordado, gera no espectador afeição em relação à personagem, facilitando a absorção de um determinado conteúdo escondido nas entrelinhas (ou “entrequadros”) de uma narrativa.

De expectadores a produtores

Para que uma animação seja produzida, é necessária antes toda uma série de pesquisas, desde como fazer um determinado movimento até todos os elementos que envolvem o conteúdo daquela trama (elementos de época, conhecimentos específicos de uma determinada personagem que possui alguma profissão, comportamentos etc.).
Por isso, propor ao aluno uma atividade assim incentiva-o a pesquisar mais sobre um determinado conteúdo para transformá-lo numa produção animada. Afinal de contas, melhor que assistir a um bom filme de animação é fazer parte da produção dele.
Algumas iniciativas no Rio de Janeiro têm tido esse objetivo de fomentar no aluno o desejo tanto pela pesquisa de um determinado assunto quanto dar a ele uma perspectiva em relação à profissão de animador no futuro.

Juro que vi: Os alunos contam a história e os animadores dão vida a ela.


Cartaz do filme O Boto da MultiRio
Uma delas é a série Juro que vi da MultiRio, produtora de material de educação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. A série conta com vários episódios com personagens ligadas ao folclore brasileiro.
Os alunos da rede pública municipal criam as histórias orientadas por seus professores e a equipe de animação. Depois se reúnem e recontam essas histórias em oficinas dadas pela própria MultiRio. E aí a equipe de animação entra para transformar todas aquelas histórias em linguagem animada de altíssima qualidade.
A série já conta com os curtas O Curupira, O Boto, Iara, Matinta Pereira e a mais recente produção O Saci e já recebeu várias premiações nacionais e internacionais.

Anima Escola: tornando a sala de aula mais animada

Em outra iniciativa, os alunos e professores colocam a mão na massa e produzem pra valer. Trata-se do Anima Escola. Projeto criado pelo festival Anima Mundi para atender às escolas interessadas em tornar as aulas mais animadas.
O projeto tem, entre outros objetivos, demonstrar o potencial educacional do cinema de animação, incentivar seu uso como instrumento didático e inverter o papel, antes apenas passivo, das crianças diante dos filmes de animação.
A proposta do projeto é a capacitação do professor tanto no conhecimento quanto no uso de equipamentos para a produção e orientação das animações dos alunos na sala de aula. Para isso o programa conta com cinco módulos (que podem ser flexibilizados, dependendo da necessidade da escola ou do professor).
Segundo Luciane Chio, que trabalha no projeto há quatro anos, o Anima Escola tem possibilitado que alunos da periferia do Rio, antes sem nenhuma perspectiva de vida, aumentem seus horizontes (tanto psicológicos quanto geográficos), se interessem pelas atividades da escola e pelos estudos, sem falar em casos de inclusão social, como numa experiência no hospital psiquiátrico Nilse de Silveira, onde um aluno com autismo conseguiu, através da linguagem da animação, se expressar melhor para os outros enfermos e para os médicos.
Para o professor, além de gerar uma nova ferramenta pedagógica, o projeto ajuda a quebrar a barreira entre ele e o aluno, aproximando-os, já que ambos trabalham como criadores da obra. O resultado é um trabalho que pode ser utilizado como material didático que fica à disposição das escolas para uso tanto em sala de aula quanto como apoio didático.
Para levar o projeto à sua escola, basta entrar em contato com o Anima Escola pelo site oficial (http://www.animamundi.com.br/esc_home.asp).
Lá você também pode conferir alguns trabalhos de alunos no Mural Animado.
Com tantas iniciativas, alunos e professores não só aprendem mais como se tornam protagonistas de suas obras, criando um conteúdo didático mais concreto e mais instigante.

Referências bibliográficas

EISNER, Will. Narrativas gráficas princípios e práticas da lenda dos quadrinhos. 2ª edição revisada e ampliada. São Paulo: Devir Editora, 2005.
Publicado em 18 de agosto de 2009

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