sábado, 18 de junho de 2011

Quanto vale um professor?




Quanto valem um professor, uma professora? Quanto custam, eu não sei. Professores não têm preço. E quantas vezes se contentam apenas com nosso apreço...

A pergunta é outra. Quanto valem um professor, uma professora? Qual o seu valor? Por que alguns desprezam o professor? Por que existem aqueles que agridem a professora? No Orkut, há centenas de comunidades intituladas “Odeio a professora Fulana”, “Odeio meu professor de Matemática”... Por que são odiados os professores?

Professores têm defeitos. Professores podem cometer erros. Contaram-me que uma aluna de 8 anos, tentando agradar a professora, escrevia com extremo cuidado, caprichando na letra. Demorava a realizar sua tarefa escrita. Queria receber o elogio pela caligrafia bonita. E a professora se aproximou da menina. E disse, em tom ríspido:

— Como você é preguiçosa! Escreva mais rápido!

Nós, professores, somos capazes de cometer erros e injustiças. Mas, por que seria nossa categoria objeto de ódio? Ainda que virtual, envolto em aparente brincadeira?

A cada ano, percebo, o Dia dos Professores é comemorado com menos glamour. Não há muito o que festejar? Recentemente, matérias em jornais como a Folha de S.Paulo nos contavam que, no Estado mais rico do País, 100 professores por dia saem da sala de aula por problemas emocionais, que se manifestam na forma de variadas doenças.

Quanto valem um professor, uma professora, trabalhando em condições que levam ao estresse? Ao esgotamento físico e mental? Como não ver que uma sala com 40 alunos ou mais é demais da conta?

Dizem tradições religiosas que este mundo é um vale de lágrimas. Quanto vale uma queixa de professor com relação à indisciplina, ao desrespeito? Há inúmeras maneiras de desrespeitar um profissional. Os professores são desvalorizados, por exemplo, quando não são ouvidos, dentro ou fora da sala de aula.

Quanto vale uma aula? Um vale-brinde? Um vale-tudo? Quantos vales-transporte levarão os professores até o conhecimento atualizado e aprofundado? Quantos vales-refeição garantem aos professores que nos alimentem de ideias, ideais, convicções e valores? Quanto valem as palavras dos professores? Seus valores ainda valem?

São pontos de interrogação, como dizia o cantor Gonzaguinha. Quanto valem, aliás, esses pontos todos? Essas perguntas todas? Que destino terão essas perguntas no final de um ano letivo?

Atuar no ensino exige valor. Numa acepção que os dicionários registram. Valor também quer dizer valentia, coragem, intrepidez. Quanto vale a coragem dos professores que, apesar dos pesares, e até dos pesadelos, vão para a escola mostrar seu valor?

Quanto valem os professores que, errando e acertando, aprendem o tempo todo a ensinar?

Gabriel Perissé

Texto publicado na revista Profissão Mestre de dezembro de 2010.

Gabriel Perissé é escritor, autor do livro Introdução à filosofia da educação (Editora Autêntica). Site do autor: www.perisse.com.br

1 comentário:

  1. Adorei. Muito interessante as colocações, obrigado por compartilhar.

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